Minha estada no Brasil, mistura de férias e trabalho, está chegando ao final. Ainda viajo mais um pouco por aqui, já que domingo que vem tem uma oficina-brunch-palestra em Fortaleza (mais informações aqui), mas pretendo passar os últimos dias antes de voltar pra Europa em casa, comendo toda a comida típica que passar pela minha frente.

Café da manhã é minha refeição preferida e os que preparo aqui são, de longe, os melhores de todos. Porque aqui em Natal frutas suculentas abundam, algumas das que mais gosto (manga, mamão, abacate, cacau, pinha). Tem tapioca, macaxeira, cará, batata-doce, cuscuz e, o melhor de tudo, tem coco fresco. Verde, pra tomar a água e comer a polpa, e maduro, pra fazer o meu leite preferido. Com tantos ingredientes maravilhosos à disposição, fica fácil preparar refeições matinais espetaculares. Pelo menos pra uma pessoa tão louca por café da manhã quanto eu.

A refeição matinal é a mais difícil de veganizar pra maioria das pessoas. Justamente por isso escolhemos fazer a oficina em Fortaleza sobre esse tema. Mas é só pensar um tiquinho fora da caixa que dá tudo certo. Tempos atrás escrevi um post sobre como transformar seu café da manhã, pra que ele fique cheio de nutrientes e sabor, mas hoje queria falar de maneira mais específica sobre meus cafés tropicais. Espero que isso inspire as pessoas lendo o blog que moram por aqui.

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Adoro começar o dia com água de coco. Acordo morrendo de sede, principalmente no verão, e tomar água de coco é uma daquelas coisas pequenas que proporcionam uma felicidade gigante. Depois como a lama, que é como chamamos a polpa por aqui. Ou guardo pra usar em algum prato.

Frutas, frutas e mais frutas. Pra quem mora no Nordeste as opções são ainda mais variadas. Só que frutas sozinhas não vão te sustentar por muito tempo, então você pode acrescentar castanhas, sementes (linhaça, chia, girassol, sarraceno…) e cereais em flocos (aveia, amaranto, quinoa). Se a fruta não for doce o suficiente pra você, um fio de mel de engenho (melado de cana) ajuda e ainda oferece uma dose de ferro.

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Nunca como só frutas, porque além de ter muita fome quando acordo não consigo comer só doce de manhã. Preciso de algo salgado e aqui entram os ingredientes típicos do café da manhã da minha região e que tanto me fazem falta quando estou longe: macaxeira cozida (quanto mais molinha, melhor), batata-doce, tapioca e cuscuz. O problema é que tradicionalmente essas iguarias são sempre acompanhadas de produtos de origem animal. A danada da “mistura” (ovo, queijo, carnes). Mas basta manter o princípio da mistura, que nada mais é do que uma proteína, e optar por uma de origem vegetal. Grão de bico, por exemplo. Sob forma de hummus ou de omelete, é ele que aparece com mais frequência acompanhando a macaxeira, batata-doce, tapioca e cuscuz.

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E falando em cuscuz, como ele é pobre em nutrientes gosto de acrescentar sementes de chia, linhaça ou sarraceno e algumas castanhas diretamente no prato, sobre o cuscuz cozido.  Faço meu cuscuz no leite de coco caseiro, mas se ele não for preparado assim rego com um fio de azeite pra não ficar tão seco.

Dois tubérculos que adoro são inhame e cará. São nutritivos, baratos (cará aqui custa metade do preço do inhame) e perfeitos pro café da manhã.

Uma opção menos comum, mas deliciosa, é banana da terra (banana comprida) cozida. Você cozinha na água, com casca, até ficar macia (espete com a ponta de uma faca pra testar). Depois é só descascar e degustar. Tem gente que gosta de comer banana da terra com melado e canela. Eu gosto de come-la como acompanhamento de  pratos salgados, como omelete de grão de bico. Ou com hummus, porque hummus fica bom com quase tudo. (Perceberam minha obsessão com esse omelete e com hummus? Finjam que não perceberam.) Na foto abaixo tem: banana da terra cozida, omelete de grão de bico e cogumelo salteado.

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Mais difícil de encontrar, mas gostosa a ponto de valer a pena sair atrás dela pela cidade, é fruta-pão. Você também cozinha na água salgada, como batata (descasque antes), até ficar tenra. Depois é só se deliciar. Na foto abaixo ela foi acompanhada de amendolete (casquinha de amendoim que meu amigo Marcelo faz. A receita é dele, então nem adianta me pedir) e muhammara.

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Mas a melhor coisa pra comer de manhã, principalmente aqui no Nordeste quando está um calor de maçarico, como é o caso agora, é aveia dormida. Cremosa, geladinha, deliciosa. Eu gostava muito de iogurte antes de me tornar vegana e sinto que aveia dormida, embora não seja um iogurte vegetal (não é fermentada) preenche o vazio deixado pelo iogurte na minha dieta. Acho que sentia mais falta de ter algo leve, cremoso e gelado pra comer do que do sabor do iogurte propriamente dito. Talvez por isso eu seja tão louca pela minha aveia dormida. E aqui posso prepara-la com o leite de coco que faço, o que deixa o prato ainda mais cremoso e levemente doce (coco é naturalmente adocicado). Melhor aveia dormida de todos os tempos!

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Publiquei várias receitas de aveia dormida aqui no blog (é só procurar na página “Receitas”), mas é muito simples. Basta misturar aveia em flocos (melhor se forem grossos) com chia (uso 1 colher de sopa de chia pra cada 1/2 xícara de aveia em flocos, mas você pode usar mais chia e menos aveia se quiser que fique ainda mais leve) com leite de coco caseiro (ou outro leite vegetal) suficiente pra cobrir tudo. Coloque em um recipiente fechado na geladeira e deixe descansar durante a noite. De manhã estará prontinha pra ser degustada, de preferência com pedaços de frutas frescas. Essa é a receita básica, mas você pode acrescentar frutas secas à mistura (passas, ameixas, damascos), especiarias (canela, gengibre, cardamomo)… Na hora de degustar você pode ainda acrescentar castanhas, nibs de cacau, sarraceno cru, flocos de amaranto ou quinoa. Atualmente estou adorando bater frutas congeladas no liquidificador com o mínimo de leite de coco e servir esse sorvete natural com a aveia dormida. Ainda não descobri um café da manhã melhor pro verão: leve, gostoso, nutritivo, refrescante e sacia bastante.

E sabe aquela polpa de coco verde que mencionei no inīcio do post? Você pode acrescenta-la à sua aveia dormida, o que vai deixa-la com um sabor do outro mundo. Ou pode bater essa polpa com um pouquinho de água de coco e servir esse creme divino e maravilhoso sobre frutas frescas. Acompanhadas, se quiser, de sementes e castanhas, porque o nome desse blog não é “Papacapim” por acaso: adoro sementes!

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Mas além de dar dicas de cafés tropicais, eu gostaria também de compartilhar uma receita que criei durante essa visita ao Brasil e que anda aparecendo com frequência na mesa da minha família. Eu adoro tapioca e aqui em casa comemos tapiocas todos os dias. Eu costumo besunta-las com o meu fiel companheiro hummus, mas um dia acordei querendo algo diferente e de sabor mais suave. Então peguei o liquidificador, os ingredientes que estavam dando sopa na cozinha e nasceu um creminho gostoso que agradou a família onívora inteira. A textura lembra muito requeijão e como o ingrediente principal é castanha de caju, batizei de “requeiju”. Às vezes acordo sapeca.

Tenho consciência de que castanha de caju anda pela hora da morte fora do Nordeste e às vezes até dentro dele (tem lugares onde o quilo sai por 70 reais!). A culpa, assim como no caso do feijão, é da seca. Recomendo procurar castanhas em mercados populares ou lojas especializadas em castanhas. As dos supermercados são muito mais caras. A receita só usa 100g desse ingrediente precioso e faz bastante requeiju. No final das contas ainda sai mais barato do que requeijão (comparando as mesmas quantidades).

Na foto abaixo: tapioca com requeiju, omelete de grão de bico, mamão com chia e sarraceno.

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Requeiju

As castanhas ideais aqui são aquelas naturais (ou “caipiras”), tostadas no fogo. Não as cruas (que são, na verdade, cozidas no vapor) nem as torradas (que são fritas no óleo). Uso as quebradas, que são mais baratas. Elas vão acabar no liquidificador de todo jeito, então não faz sentido gastar mais comprando a castanha inteira pra depois triturar tudo.

100g de castanha de caju (leia mais detalhes acima), de molho por 8-12 horas

1 cs de missô claro

1 cs cheia de polvilho azedo

1 cs de azeite (de sabor suave)

1 cs de vinagre de maçã (o de fermentação natural, não vinagre de álcool “aromatizado com maçã”)

1/2cc de paprica doce (opcional)

1 cs de levedura de cerveja maltada (opcional)

Sal e pimenta do reino a gosto

2 1/2 x de água

Bata as castanhas demolhadas (escorra antes), o missô, o azeite, o polvilho azedo, o vinagre de maçã, a páprica e a levedura (se estiver usando) no liquidificador com duas xícaras de água, até ficar cremoso. Esfregue a mistura entre os dedos pra ter certeza que não tem pedacinhos de castanha inteiros. Transfira a mistura pra uma panela pequena. Despeje meia xícara de água no liquidificador e sacuda bem pra que o restinho da mistura de castanha que ficou grudado ali se dissolva e misture esse líquido com o da panela. Assim você não desperdiça nem um tiquinho do seu requeiju (e ainda facilita o trabalho de lavar o liquidificador depois).

Cozinhe em fogo baixo, mexendo com um batedor de arame (fouet) até começar a ferver e engrossar. Prove e acrescente sal, se necessário (alguns missôs são bem salgados, por isso prove primeiro antes de colocar mais sal) e uma pitada de pimenta do reino.. Se achar que seu requeiju ficou com grumos, bata vigorosamente com o batedor (fora do fogo) até a mistura ficar totalmente lisa. Transfira pra um recipiente com tampa e guarde na geladeira. A consistência fica mais espessa e ainda mais cremosa depois de gelado, por isso espere algumas horas antes de consumir. Se conserva uma semana na geladeira.

Passando rapidinho pra dividir uma coisas com vocês.  Cheguei em São Paulo alguns dias atrás e já fiz tanta coisa e encontrei tanta gente bacana que parece que estou aqui há semanas. Ontem teve a palestra sobre ativismo interseccional (direitos animais e humanos) no Encontro Vegano. Hoje visitei um assentamento do MST onde os agricultores praticam a agroecologia e visitei a Escola Nacional do MST, a Florestan Fernandes. Pretendo falar mais sobre isso tudo em breve, mas hoje só queria informar que vou fazer duas oficinas de culinária na cidade. Uma na quarta (23) no espaço Mun e a outra no domingo (27) no restaurante Broto de Primavera. A primeira será de inspiração europeia e será seguida de um jantar. A segunda trará receitas palestinas e será seguida de um almoço. Os dois eventos serão acompanhados de uma palestra/bate-papo. Todas as informações sobre as oficinas (horário, menu, preço e telefone pra reserva) estão aqui.  As vagas são limitadas, então pessoas interessadas devem telefonar pra reservar seu lugar o mais rapidamente possível.

E amanhã às 19h30 Anne vai participar desse evento de solidariedade ao povo palestino no restaurante (palestino!) Al Janiah. Vai ter uma roda de conversa e a exibição do documentário que ela fez sobre as famílias que perderam três membros ou mais no último bombardeio israelense em Gaza. O evento é gratuito e estão todas convidadas. Estarei lá traduzindo e comendo falafel  (melhor falafel do pedaço!!!). Mais informações sobre o evento (e endereço) na página FB do restaurante.

Algumas semanas atrás passei uma semana na minha praia preferida do litoral potiguar. Anne e eu temos uma tradição. Sempre que ela vem ao Brasil nós visitamos a mesma praia, Baía Formosa, que descobrimos na primeira vez que ela veio aqui. É um lugar tranquilo que se mantém protegido do turismo de massa, o extremo oposto da vizinha, a internacionalmente famosa praia de Pipa. Nós não gostamos de lugares cheios de gente e com forte apelo comercial e Baía Formosa é um vilarejo de pescadores, cercado pela Mata Estrela (reserva de mata Atlântica), um lugar lindo e mais interessado em eco-turismo do que em balada.

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O único problema é que, justamente por ser um vilarejo de pescadores, bem autêntico com apenas um punhadinho de pousadas, as opções de comida vegana na cidade são extremamente limitadas. Na verdade elas se resumem a macaxeira frita e água de coco. E essa é uma situação comum em praias. Sempre achei que o lugar mais difícil pra ser vegana é em uma praia brasileira (não sei como é a situação nas praias dos outros países). Por isso há tempos venho planejando escrever um pequeno guia de sobrevivência pra pessoas veganas na praia.

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Dica 1: Traga reforço pro café da manhã

Começar o dia com uma refeição caprichada é, pra mim, essencial. Primeiro porque você provavelmente vai fazer atividades que exigem muita energia do seu corpo (da última vez que estivemos em Baía Formosa andávamos 8km por dia, na areia fofa da praia). Segundo porque café da manhã é minha refeição preferida e sem prazer gastronômico sinto que ficou faltando uma parte importante nas minhas férias. Mas infelizmente café da manhã pra uma vegana é um desafio na maioria das pousadas e hotéis por onde passei. Porém esse problema é fácil de ser resolvido: com alguns ingredientes na bolsa você consegue transformar radicalmente essa refeição, a partir do que o local oferece no buffet.

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Sempre tem frutas e sucos frescos, então é por aqui que começo. Tiro aveia em flocos (muitas vezes já tem no buffet), chia e castanhas do Pará da bolsa e salpico generosamente nas frutas. Se você estiver pelo Nordeste, o cuscuz vai estar sempre presente. Prefiro alimentos mais nutritivos e o milho do cuscuz é sempre transgênico, o que prefiro evitar, mas muitas vezes é a única opção salgada vegana disponível. Acho pão francês intragável e evito glúten no dia-a-dia, mas também é uma opção vegana que encontramos sempre. Melhorei meu cuscuz com chia e sarraceno (cru), mais uma chuva de levedura de cerveja maltada (levedura nutricional), que trouxe da França (uma delícia, mas longe de ser indispensável). Levei hummus de casa e ele completou a refeição, com muita proteína, cálcio, gordura boa e sabor. Também levei um patê de tofu com ervas (comprei pronto) pra variar o acompanhamento.

O que levar na bolsa pra remediar o café da manha da pousada: sementes (chia, linhaça, sarraceno) e castanhas (de caju, do Pará, amêndoas, amendoim) pra servir sobre frutas ou cuscuz. Uma pastinha, de preferência rica em proteínas, pra passar na tapioca/pão e acompanhar o cuscuz/macaxeira/batata doce (que você vai guardar no frigobar do quarto). Adoro hummus, mas você pode levar um patê de tofu (comprado feito ou caseiro) ou o seu patê preferido. Aqui no blog tem várias receitas pra te inspirar. Se não puder levar nenhuma pasta, uma garrafinha de azeite quebra um galhão (pra regar a macaxeira, a tapioca…).

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Dica 2: Alugue um chalé com cozinha ou peça pra usar a cozinha da pousada

Nas primeira vezes que fomos à Baía Formosa nos alimentamos de coco e macaxeira durante dias e fomos dormir algumas noites com a barriga vazia. Ano passado pedi pra usar a cozinha da pousada, mas como isso me foi negado, levei algumas comidas prontas de casa, mais muitos lanchinho e reforços pro café da manhã e guardei tudo no frigobar do quarto. Comemos tudo frio, mas pelo menos não passamos fome.

Esse ano pedi novamente pra usar a cozinha da pousada, explicando mais uma vez que eu e minha esposa éramos veganas e que era praticamente impossível comer nos (poucos) restaurantes da cidade. Não foi muito fácil convencer o proprietário da pousada (“É uma escolha de vocês serem macrobióticas!” “Somos veganas”, repeti), mas como já era a quarta vez que nós ficávamos hospedadas lá e eu insisti muito, ele acabou concordando. E esse detalhe, que pode parecer pequeno, mudou radicalmente a nossa experiência praiana.

Planejei refeições ultra simples e nutritivas, trouxe uma feirinha na mala e nunca comemos tão bem numa praia. A chave aqui é planejamento: pense em refeições que só precisam de uma panela pra serem preparadas, que ficam prontas em pouco tempo. Fazer porções grandes significa já ter parte da próxima refeição pronta. Mais uma dica: leve temperos inteligentes que farão economia no tempo de preparo. Por exemplo, levei uma mistura de cebola, alho, tomate e salsinha desidratados e isso substituiu a tradicional cebola+alho frescos picados e refogados. O mais importante pra mim era ter uma refeição gostosa, rápida e nutritiva na mesa, não criar receitas gourmets. Ervas desidratadas, temperos secos (pimenta do reino, cúrcuma ou o que mais você gostar), sal e azeite também não podem ficar de fora (e ocupam pouco espaço na mala).

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Naquela semana, além do que já citei acima, levei 1kg de feijão verde, macarrão integral, um jerimum pequeno (do sítio do meu pai), um potinho com tomate seco em pasta, algas em flocos do tipo dulse, farinha de grão de bico (pra fazer omelete) e dois burgers de soja e legumes (comprado pronto). Também levei bolachas de arroz integral, cookies integrais (um de café, outro de coco e castanha do Pará), geleia de cupuaçu, chocolate amargo e castanha de caju pros lanches. A feira completa está na foto acima. Detalhe: fomos pra praia de ônibus. Se você for de carro, vai poder levar mais comida. No meu caso tive que usar a criatividade pra fazer almoços e jantares pra duas pessoas, por cinco dias, com os poucos ingredientes que pude levar.

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Não é garantia você conseguir autorização pra usar a cozinha da pousada (se a pousada tiver restaurante que serve também almoço e jantar, esqueça. O pessoal não vai querer você atrapalhando o trabalho deles.), mas não custa tentar. Uma opção ainda melhor é alugar um chalé/apartamento com cozinha. Aí é só levar a feira de casa e se fartar.

Importante: lembre de levar uma faca pequena afiada e uma táboa de legumes, pois além de não ser garantia você encontrar esses dois itens na pousada (aconteceu comigo e foi um suplício descascar um jerimum na mão, sem o apoio de uma táboa e com uma faca meio cega), se tiverem, provavelmente usam pra cortar animais.

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Dica 3- Coco é vida!

Ainda mais pra pessoas veganas na praia. Nunca visitei uma praia por aqui que não tivesse coco e além de hidratar o corpo e refrescar, a polpa do coco, que nós chamamos carinhosamente de “lama” (não tem nada pejorativo nisso, nordestinos amam lama de coco e esse termo não passa de um regionalismo) é um alimento maravilhoso. Ela é cheia de nutrientes e gordura boa, que vai te alimentar e dar saciedade. É um dos melhores lanches que conheço e ainda vai te custar zero reais (afinal você já pagou pela água). Pode parecer óbvio pras pessoas da minha região, mas cansei de ver pessoas descartando o coco depois de tomar a água. Algo tão delicioso e nutritivo não deveria acabar no lixo. E se você tomar a água de mais de um coco de uma vez e não quiser comer toda a lama ali, leve pra comer mais tarde na pousada. Isso se torna possível se você lever um recipiente pequeno vazio na sua bolsa de praia.

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Dica 4- Pergunte

Não se contente de constatar que não tem nada vegano na mesa e sentar com o prato vazio sem dizer nada. No primeiro dia na pousada percebi que eu só poderia comer cuscuz e frutas. Então perguntei à cozinheira se tinha tapioca. Ela disse que não, mas que tinha ovo, queijo, salsicha, bolo… Expliquei que não comia nada daquilo e quando ela perguntou de volta “E você come o quê?” respondi com as opções que poderiam ser encontradas por lá: tapioca, macaxeira, inhame, batata doce, cará. Pois não é que na manhã seguinte fui presenteada com tapioca com coco e macaxeira cozida? Claro que suas expectativas devem se manter dentro das possibilidades locais. Em casa, de manhã, também como omelete de grão de bico, hummus, tofu mexido, queijo de castanha, vitaminas de frutas com leite de coco… mas sabia que isso não seria possível por lá. Sempre pergunto por opções veganas em todos os restaurantes, hotéis, pousadas por onde passo, mesmo tendo certeza absoluta que não tem nada 100% vegetal no lugar. Mas só o fato de perguntar e fazer sugestões (dentro das possibilidades locais) já é um tipo de ativismo. Você estará informando que existe um público vegano e que nós também gostaríamos de comer ali. Talvez não tenha nada pra você na hora, mas a próxima vegana que passar por lá pode ser recebida melhor.

Vou ficar por aqui, mas tenho um pedido. Pessoas veganas lendo esse blog, se tiverem mais dicas, compartilhem nos comentários. E pra terminar, um visitante que apareceu na nossa varanda em Baía Formosa trazendo uma mensagem. “Fora Temer!” e “Fora Trump!”, ele disse.

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