Esse blog nasceu na Palestina, cinco anos atrás, no inverno. Fazia meses que eu dizia querer começar um blog, sem nunca colocar a ideia em prática. Anne insistia que a ideia era boa, que minhas receitas eram boas, que a minha escrita era boa… Mas no fundo uma voz me dizia: ‘Quem vai querer ler o que você tem pra dizer?’, então eu tratava de me ocupar com outras coisas e desistia do blog. Até que nesse famoso inverno Anne foi pra Gaza e eu fiquei em Belém. Uma noite eu perdi o sono e, sozinha na sala da minha linda casa de pedra, a dois passos da igreja da Natividade (onde Jesus nasceu), criei o Papacapim.

Meu objetivo era, como está escrito lá em cima, desmistificar a culinária vegetal. Eu queria mostrar que veganos não comem só folhas, que comida vegetal pode ser extremamente interessante, variada, acessível, saborosa e capaz de seduzir até onívoros. Os blogs veganos em Português que cruzaram o meu caminho nessa época ofereciam receitas que agradariam a Sandra de 15 anos, se eu tivesse me tornado vegana durante a adolescência. Acabei percebendo que isso faz sentido, já que muitas pessoas se tornam veganas no final da adolescência e nessa fase geralmente temos uma quedinha por junk food (por isso via tanta receita de coxinha, bolo de caneca e estrogonofe de proteína texturizada de soja). Mas aos 26, com um paladar adulto e mais exigente, eu queria comida de verdade, cheia de vegetais, com sabores mais intrigantes e mais sofisticados. Talvez eu não tenha procurado direito, talvez as receitas que apareciam na minha cozinha já estavam sendo publicadas em outros blogs brasileiros, mas o fato é que o Papacapim nasceu porque eu achava que tinha um buraquinho virtual que eu podia preencher. Na pior das hipóteses, pensei com meus botões, eu terei um registro on-line das minhas invenções, desocupando o espaço que elas ocupavam na minha mente.

Minhas aspirações eram tão modestas que levei alguns meses antes de começar a contar às pessoas ao meu redor que eu tinha um blog. Apesar de ter nascido em fevereiro de 2010 o blog se manteve secreto até o final de abril, início de maio. Por isso resolvi comemorar o aniversário do Papacapim nesse período do ano, que foi quando ele se tornou público.

Durante meses eu só tinha duas leitoras: minha irmã Lila e minha amiga Monalisa. Mas o prazer que eu sentia ao preparar os posts (criar as receitas, fotografá-las e escrever os textos) era tão grande que a falta de popularidade não me desencorajou e segui em frente, feliz da vida. Eu tinha arrumado meu lar virtual, preparava comida com todo o amor do mundo, colocava na mesa e esperava os convidados aparecerem. E aos poucos eles foram chegando. Pelos comentários que vocês fizeram, a maioria das pessoas chegou no blog procurando uma ou outra receita específica e acabou ficando porque , além de terem sido seduzidas pelas receitas, se encantaram com a conversa.

Ao mesmo tempo que a turma participando desse banquete virtual aumentava, fui explorando outros assuntos. Primeiro timidamente, com medo de algumas pessoas pensarem que, agora que eu tinha fisgado a atenção delas com receitas veganas, eu ia aproveitar a audiência conquistada e mudar de assunto. Pra minha grande felicidade ninguém reclamou. Assim a Palestina e o meu ativismo pelos direitos humanos entraram no blog e nunca mais saíram. A partir daí fiquei tão à vontade que tirei a roupa (metaforicamente). Abri meu coração várias vezes e descobri que tenho os melhores leitores que passeiam por essa world wide web.

Depois do nascimento do blog naquela noite de inverno palestino, mudei de casa (e país) duas vezes. Perdi a conta das atividades em que me envolvi (remuneradas ou não, mas todas lícitas, juro!). Meu ativismo se expandiu. Meus interesses se alargaram. Descobri novas paixões, novas lutas. Meu estilo de culinária evoluiu. Meu estilo de fotografia também evoluiu. E tudo isso ficou refletido aqui no blog. Posso abrir qualquer post, ao acaso, e ao lê-lo sei exatamente onde eu estava e como eu me sentia, as dificuldades e felicidades que povoavam minha vida naquele exato momento. O que era pra ser um blog de receitas veganas virou algo com um significado muito maior pra mim. É uma plataforma onde minhas três paixões (culinária vegetal, ativismo e escrever) se encontram. É onde eu reúno as coisas que são importantes pra mim e compartilho com quem quiser ouvir. Porque a mágica só acontece quando o que eu tenho pra dizer passa pro lado de lá da tela.

De vez em quando também acontece de algumas coisas passarem pro lado de CÁ da tela. Muitas pessoas que acompanham o blog me escreveram nesses cinco anos. Não caberia em um post todas as coisas lindas que elas me disseram. Muitas histórias me tocaram na alma e encheram meus olhos de lágrimas. Muitas me fizeram passar um dia inteiro com um sorriso de orelha à orelha e com o coração inchado de alegria. As pessoas que escrevem esses emails geralmente querem me agradecer pela inspiração, pela ajuda que encontraram no blog, pelas dicas que tiveram um impacto positivo na vida delas e pelas receitas que alegraram seus almoços de domingo. Algumas foram além da comida. Nunca esquecerei da enfermeira que me escreveu contando que só depois de ter começado a ler o meu blog tinha descoberto algo que até então estava totalmente ausente na sua profissão: que ‘alimentar’ também era uma parte fundamental do ‘cuidar’. Desde então a alimentação tinha adquirido uma outra dimensão e tinha se integrado aos cuidados que ela oferecia à mãe doente de câncer. Ou da jovem que me escreveu contando que depois de ter falado pros pais que era gay eles reagiram com violência verbal e física e enquanto ela atravessava esse inferno, meu blog tinha sido um refúgio pra ela e que “foi lendo o seu blog e suas histórias inspiradoras que eu achava forças para seguir em frente.” Então percebi que o blog tinha se transformado em algo muito maior do que uma coleção de receitas veganas.

A comida foi o ponto de partida da minha revolução pessoal. Primeiro me tornei vegana, depois abandonei o mestrado em Linguística pra me dedicar à culinária vegetal, em seguida me mudei pra Palestina e ajudei a criar um projeto de empoderamento pra mulheres refugiadas, criei o Papacapim… E a comida estava sempre no centro de tudo. Hoje, depois de ter passado vários anos na cozinha, meditando, transformando o meu alimento, criando, alimentando as pessoas que eu amo, afogando minhas mágoas, celebrando vitórias, relembrando, distribuindo amor com cada garfada, inspirando, compartilhando meus conhecimentos e ajudando a construindo um futuro melhor, me convenci de que cozinhar é um ato emancipador, empoderador e revolucionário. É uma maneira de resistir (à ocupação militar israelense, como as mulheres do campo estão fazendo, às doenças que atingem a população mundial e já causam mais morte do que a fome e a pobreza) e de lutar (por um mundo mais justo, por mais compaixão com os animais humanos e não humanos, contra a destruição do planeta, por uma vida mais vibrante e cheia de energia). Então comer é um ato político e cozinhar é um ato revolucionário, de resistência e empoderador.

E exatamente no mês em que o blog completou cinco anos recebi o email de uma leitora que foi o melhor presente que alguém poderia ter me oferecido. Violeta contou sua história de uma maneira lindíssima, cheia de humor e lirismo, e me mostrou mais uma vez o poder transformador que cozinhar o seu próprio alimento tem. Esse email, que li no andar de cima daqueles ônibus vermelhos de dois andares que tem aqui em Londres, no caminho do trabalho, me emocionou ao ponto de me fazer chorar. Duas vezes. Depois saí contando pros amigos, pra família e pra quem ia passando pela minha frente. Aquilo era lindo e inspirador demais, eu precisava dividir com o mundo! Então perguntei à Violeta se poderia publicar o email dela aqui e ela fez a gentileza de aceitar.

Oi, Sandra!

(ou [A] Papa, como eu gosto de chamar, quando tenho conversas imaginárias contigo ou quando falo pras pessoas que esse pão delicioso aí é receita da Papa e pra elas, por favor, entrarem no site pra poderem mudar a vida delas também)

[AVISO: conteúdo do texto altamente metafórico, a autora teima em achar que sabe filosofar (e pior ainda, poetisar!). Você foi avisada!]

 Apesar de tudo isso, eu só comentei no site duas vezes, há uns dois anos, acho. Você com certeza não se lembra, nem faz ideia de que QUASE botei a mochila nas costas e fui pra Natal no começo do ano, só pra poder te conhecer (e não aconteceu porque na época eu estava organizando uma mudança de casa envolvendo quatro cidades diferentes e não consegui terminar tudo a tempo de te [stalkear] conhecer)

Há muito tempo que fico procrastinando esse meu e-mail! Acho que a gente gosta muito de viver na terra da fantasia, de ficar só imaginando que “um dia vou mandar um email, e vai ser lindo, e vou chorar…) mas trazer as coisas pra vida real dói, dá medo e a gente vai deixando tudo nos braços de Morfeu.

Então hoje eu vim fazer uma visitinha no site e vi a notícia do Tour e falei, nossa, tem que mandar email pra saber mais. Pensei em deixar pra lá (MUITO provavelmente não tenho bufunfa suficiente pra ele, hello!, estudante universitária falando aqui!), mas dessa vez falei, NÃO! Vou mandar o email e vou falar, e vou jogar Morfeu pra escanteio! HA!

Sabe, querídissima Papa, o momento em que eu abri o seu Papacapim foi uma virada na minha vida. Eu não sabia, não tinha idéia, só queria fazer um blog, tive a ideia de chamar *papacapim*, fui ver se já existia, BANG!

(Pausa pra imaginar o poderoso punho do ativismo político-gastronômico me acertando no estômago!)

Aquele foi o momento que descobri: eu tinha vivido uma vida sem paixões. Nada. Eu me julgava tão bem informada, tão militante pelas minhas causas, tão íntegra e na verdade eu só era… chata. entediante. desapaixonada pelo mundo.

Não, eu não tinha me apaixonado pela vida e ficado decepcionada. Eu simplesmente tinha decidido, desde muito nova, que aquilo tudo era uma droga mesmo, e eu não queria nada com aquela realidade enquanto ela não fosse um pouco melhor. Então eu esperneava e lutava, desprezando o mundo, me mantendo longe dele, sem dar uma chance pra ser conquistada…. E quando viver numa torre de mármore doía demais, eu permitia um affair, um caso de alegria e prazer com a vida, vivido nas sombras da noite, amando ilicitamente essa coisa sem nome, linda demais, que é viver. E então me repudiava, me maltratava, sendo fora-da-lei e carrasco no mesmo corpo. Eu tinha sim, paixões!, dizia a mim mesma. Era a mais apaixonada das criaturas, navegando numa cruzada contra o mundo! Isso sim era paixão nobre, merecedora! Não tinha tempo a perder com bobagens!

Tola criança!

Vivia uma vida cinza e sem prazer, me vangloriando disso – e, horror dos horrores, desejando o mesmo para todo o mundo!

Então, exatamente como qualquer comédia-romântica-hollywoodiana-com-mulher-séria-profissional-que-desconhece-o-amor-e-se-apaixona-sem-querer-numa-aventura-cheia-de-diversão-na-sua-Sessão-da-Tarde!, em alguns momentos, mal sabia eu, a vida me seduziu, e o caminho não teve volta.

E foi no seu site. E foi porque você decidiu compartilhar todo o amor que tem por viver com o mundo inteiro. E foi porque você colocou alma nas suas receitas, suas palavras, porque você salgou seus quitutes com lágrimas, adoçou com cafuné, temperou com risos. Como casais sempre vão se lembrar do primeiro encontro, eu sempre vou me lembrar daqueles primeiros dias, quando aquela coisa maravilhosa tomou conta de mim, quando eu acordava sorrindo pensando em aveia dormida, e ia dormir pra sonhar que rolava na feira abraçada com uma melancia. Pra mim, foi onde tudo começou de verdade.

Ah, eu vivia a mais maravilhosa Lua de Mel de Ágave com o mundo!

Me apaixonar pela comida foi só o primeiro affair dessa festa swing loucona que ando vivendo desde então. Em dois meses, dei um pé na bunda da minha cidade quente, poeirenta e elitista; pé na estrada, fui viajar um pouquinho – que virou um poucão e, um mês depois, fui parar em Natal!

É um filme lindimais, o tal Forrest Gump – e só faço arrepiar toda vez que vejo aquela menininha, tão pequena, com os joelhos na terra, olhar pro alto e sussurrar: “Dear God, make me a bird, so I can fly far far away from here”. Queria asas. Todos queremos nossas asas.

E foi naquela viagem pra Natal que dei meus primeiros voos. A minha professora podia não estar ali, mas aquele lugar falou comigo. A liberdade que encontrei ali sussurrou e encontrou seu caminho pra dentro dos meus ossos, de pássaro agora.

Um mês depois, estava morando na minha casa nova, no interior de Minas dessa vez. Nossa, como vivi! Trazia gente querida pra casa, fazia sanduíches de hommus, lasanha de berinjela e vitamina de banana e aveia. Fiz piqueniques de falafel no parque, enquanto lia sobre a necessidade de sermos humanos, mamíferos pulsantes, ao invés de homens de lata. Escrevi poesia enquanto tomava sopa cremosa com lentilhas. Eu não precisava me reinventar. Eu precisava me inventar!

Em dias menos gloriosos, comi pão com feijão re-amanhecido várias vezes na geladeira, cremosíssimo, cheio de pimenta e alegria, como se comesse um banquete. Em dias menos gloriosos ainda, miojo com gengibre, tomate e shoyo, imaginando um yakissoba todo colorido. Cada item da minha cozinha era um tesouro à parte, cheio de receitas para sussurrarem nos meus ouvidos famintos de ideias.

Cantei recolher cada bago do trigo/forjar no trigo o milagre do pão/e se fartar de pão para cada bola de massa que botava pra dormir, amando cada dia mais o pão nosso de cada dia.

E, quando o ano terminou de novo, com a mochila nas costas e esse caso de amor – agora incurável – pela vida, fui viajar. Na beira do asfalto, pedindo bondade e alguns quilômetros a mais para todos que passavam, aprendi tantas outras coisas, que a comida não poderia me ensinar, mas que só o alimento pôde sustentar. Muitas vezes, esse alimento era água e banana. Mas ah, as coisas que vi! Amei o calor, o suor, o frio, a fome, a barriga cheia demais, o céu nublado e as estrelas. Odiei também. E senti medo. Muito medo. Daí fiquei viva.

Andei descalça. Aprendi que eu era bicho também. Esqueci e tive que aprender de novo. Desaprendi mais do que aprendi, porque ficar vazia é tão mais interessante às vezes.

E agora, a viagem acabou, outras coisas surgem. Como aplicar tudo isso nessa vida louca de cidade grande que levo agora? Morar na capital é lindo, e essa roça grande de Belzônti é deliciosa, mas cadê essa vida linda? E ser bicho? E cadê minha lasanha de berinjela quando fico 12, 14 horas fora de casa todo dia? E as sopas demoradas? Os mingaus? E quando é preciso pegar ônibus pra poder fazer piquenique no parque?

Como ser mamífero num ambiente que me ensina todos os dias a sermos homens de lata? Pior ainda, como tratar de outras gentes, conhecendo-as humanas, mamíferas, quando nos pedem o tempo inteiro para sabê-las apenas como átomos, células, tecidos, cânceres e nos dizem que suas histórias só nos servem se forem histórico clínico? Suas dores de nada nos interessam se não forem físicas, seus sofrimentos devem ser tratados apenas com cartelinhas mágicas, não com palavras e abraços reais. Como lutar contra isso sem precisar guerrear?

Não tenho resposta para nada disso ainda. Mas agora já aprendi a me inventar. Me empoderei. Preparo minha vida com carinho e banho-maria. E tudo, tudo isso começou aqui, nesse seu site lindo, com suas aulas de vida disfarçadas de culinária. Porque preparar o próprio alimento não é simplesmente picar, aquecer, salgar. É dizer que somos poderosos o suficiente para escolhermos o que entra na nossa vida, na nossa alma, em nosso corpo.

Porque cozinhar é poder.

Obrigada, querida Sandra, por me apontar esse caminho.

 Amor e chá com biscoitos,

Violeta Braga.

Eu é que te agradeço, Violeta. Obrigada a todos vocês por estarem aqui. Obrigada por voltarem sempre, deixarem comentários, me enviarem emails. Obrigada pelo apoio, por me deixarem entrar em suas casas com minhas histórias e receitas. Por me convidarem pra mesa de vocês. Pelo carinho e por me inspirarem e me encorajarem a continuar com o blog. Bendita a noite em que eu criei o Papacapim! Graças ao blog e à comida que eu crio entrei em contato com pessoas incríveis e fiz amigos maravilhosos. A minha gratidão será eterna. Talvez ele tenha inspirado e transformado a vida de várias pessoas, mas podem ter certeza que a maior transformação de todas aconteceu do lado de cá.

PS Estou pensando seriamente em imprimir em uma camiseta a frase “Cozinhar é poder.” E de substituir “Eu te amo” por “Você é o tahine do meu hummus” (uma versão romântica de outra frase ótima que Violeta me mandou:)

Quando escrevi o primeiro Guia Vegano de Natal, em 2012, comer fora de casa ainda era um desafio pros veganos natalenses ou de passagem pela cidade. Um ano depois as opções tinham aumentado e escrevi a segunda parte do Guia. Esse ano fiquei extremamente feliz ao perceber que, seguindo a tendência mundial, o movimento vegetariano/vegano está ganhando força na cidade. Embora ainda não possa ser considerada um paraíso vegano, hoje a lista de restaurantes veganos/vegetarianos em Natal está mais longa e, o que me deixou mais impressionada, opções de pratos 100% vegetais aparecem no cardápio de vários restaurantes onívoros. Por isso repito: o futuro é vegetal!

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A descoberta mais feliz foi o restaurante vegano ‘A Casa’, que tem dois endereços na cidade. Um restaurante vegano no centro da cidade e outro perto da faculdade (pra facilitar a vida dos estudantes veganos e do pessoal veg que trabalha no centro), oferecendo comida nutritiva por um preço acessível? Maravilha! Fez muito sentido fazer a palestra ‘Alimentação vegana: elitista ou popular?’ nesse restaurante, pois eles estavam ali pra provar que comida vegetal é a mais popular e barata de todas. Como disse minha amiga Bárbara, ‘em que mundo feijão com arroz é mais caro do que bife?’. E A Casa faz um feijão delicioso. A feijoada vegana (foto acima), então, foi a melhor que já comi na vida! A comida é vendida no peso e eles também fazem quentinhas. Chegue cedo no restaurante de Potilândia (a primeira e segunda fotos), pois eles fazem comida em pequenas quantidades (pra não ter desperdício) e geralmente depois das 12h30 já acabou tudo. O restaurante do centro (terceira e quarta fotos) é bem maior e tem mais opções de pratos.

A Casa (aberto de segunda a sábado, das 11h30-14h)

Rua Granada, 126 – Potilândia

Rua Princesa Isabel, 680 (sobreloja da livraria Asa Branca)

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Pium, que fica a poucos quilômetros de Natal, está cada vez mais acolhedora pros veganos e o restaurante ‘Pé na Terra’ é mais uma opção pra quem estiver a caminho das praias do litoral sul, ou quiser respirar ares diferentes sem se afastar muito da capital. Lá você encontra tapiocas recheadas (tapioca com abacate, que ideia genial!), saladas, sucos, vitaminas, cervejas artesanais e nos fins de semana rola bobó de grão de bico (aquele que apareceu aqui no blog!). Também é possível encomendar comida (quentinhas ou congelados). Além de oferecer comida vegana, o local vende biocosméticos, grãos e ervas medicinais, além de promover eventos como bailes e apresentações de música brasileira. Que tal uma roda de coco com chope artesanal e comida vegana, tudo junto? Lá tem! E pra deixar essa feminista aqui ainda mais feliz, é um negócio criado por duas mulheres. Poucas coisas me alegram mais do que ver, e apoiar, negócios veganos criado por mulheres. Quando visitei o espaço elas estavam de mudança, então essa foto é do endereço antigo. Mas pelo que vi, o novo local é ainda mais lindo.

Pé na terra (de quinta a domingo, das 16h20-23h59).

Na Oca da floricultura Terra Viva, depois do posto policial da entrada de Pium.

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Meses atrás minha irmã enviou fotos do cardápio e das saladas lindas que ela comeu no restaurante ‘Enquanto seu lobo não vem’, dizendo que eu ia adorar o lugar. Ela estava certa. Apesar de não ser um restaurante vegano, o cardápio foi claramente criado pra alegrar essa parte da população. Tem muitas opções veganas (tudo claramente marcado no cardápio): saladas completas com proteína vegetal (tofu, cogumelo shitake, falafel ou hummus), entradas quentes, sanduíches e waffles salgados. Alguém deve ter contado pra eles que pra deixar os veganos realmente felizes era preciso oferecer sobremesas saborosas, então eles foram particularmente generosos nessa área. Tem waffles doces (abacaxi caramelizado, bola de creme de cupuaçu e calda de chocolate, ou com morangos frescos, sorvete de banana, creme de avelã e chantilly), sobremesas geladas (pedaços de brownie, sorvete de banana, calda de caramelo e chantilly) e cupcakes. E pro pessoal que evita glúten, além das saladas tem pene de arroz e cupcake sem glúten também. Os sucos e smoothies são divinos e ainda tem açaí, pra quem não é fã de sobremesas muito doces (presente!). Os preços são mais elevados, então é um lugar pra visitar só de vez em quando.

Enquanto seu lobo não vem (aberto de segunda a domingo, à partir das 12h)

Av. Praia de Genipabu, loja 12, Edifício Maria Clara, Ponta Negra

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‘Cantinho natureba’ é mais um restaurante mixto: metade do pequeno cardápio é veg, com opções que mudam diariamente. O lugar é simples, mas super agradável e no dia que estive lá pude escolher entre 4 opções veganas. Provei a berinjela assada com molho de tomate (que pedi sem o gorgonzola) e o tofu grelhado. Tudo acompanhado de salada, grão de bico e arroz integral. Nós, veganos, agradecemos quando os restaurantes entendem que ninguém fica de pé por muito tempo comendo somente folhas. Precisamos de cereais integrais e de leguminosas pra acompanhar a saladinha! E além dos pratos serem balanceados, as porções são honestas e gostei do carinho que colocaram na salada. Faltou o mesmo carinho com o tofu, mas é raro encontrar cozinheiros onívoros que sabem tratar esse ingrediente como se deve (com exceção dos japoneses, que fazem tofu melhor do que ninguém). A berinjela também deixou a desejar.

Conclusão: toda a minha gratidão vai pros restaurantes que se esforçam em oferecer opções veganas em seus cardápios, mas fico triste quando esses pratos são uma alternativa inferior em matéria de sabor. Bato palmas, muitas palmas pros chefs que decidem cozinhar pratos veganos, mas não custa nada fazer um esforcinho pra oferecer opções que sejam tão gostosas quanto os ítens onívoros do menu. Se não sabe como fazer isso, pergunte a um chef/cozinheiro vegano. Ou aos clientes veganos que aparecerem no seu estabelecimento. Tenho certeza que eles podem te dar boas dicas. Todo mundo vai sair ganhando: sua clientela vegana aumentará, você poderá se orgulhar de todos os pratos que saem da sua cozinha e até alguns onívoros começarão a pedir as opções veganas. Comida boa de verdade agrada qualquer pessoa, independente das orientações gastronômicas, e é cada vez mais comum ver onívoros optando por pratos vegetais por razões de saúde ou ecológicas.

Cantinho natureba (aberto de segunda a sexta das 11h30-15h, domingos e feriados das 11h30-14h30)

Av. Capitão Mor Gouveia, 167

Minha amiga Potyra me levou pra comer no restaurante libanês Rachid’s e foi uma alegria só! Ainda não conheci uma criatura sequer que não gostasse de comida libanesa, ou do Oriente Médio em geral. É muito, muito bom! E o que eu mais gosto nesse tipo de culinária é que ela é muito inclusiva: têm várias opções naturalmente veganas. Como esses pratos são tradicionais e não adaptações pra agradar os clientes vegs, você sente a (imensa) diferença no sabor. Foram gerações e mais gerações de mães cozinhando vegetais com amor, centenas de anos de acumulação de conhecimento pelos chefs, tudo traduzido naqueles pratos. Eles foram criados pra serem gostosos, não pra serem ‘saudáveis’, ‘naturais’ ou ‘veg-friendly’. E como eles foram criados com o único intuito de serem deliciosos, mesmo os onívoros se rendem aos encantos do falafel, hummus e afins. Na Palestina, por exemplo, sanduíche de falafel não é uma variação vegetal e inferior do sanduíche com carne. É um sanduíche à parte, que seduz tantas papilas quanto as opções com derivados de animais. Mas estou divagando.

Voltando ao Rachid’s, a comida não decepcionou. Os sabores são autênticos e os pratos veganos abundam: falafel, hummus, taboule, charuto de folha de uva ou couve, baba ganush (que na Palestina chamam de mutabbal), molho de tahine, pãozinho recheado com espinafre, mdardara (o mesmo que mujadara)… A oferta era grande e a moça que me atendeu foi uma simpatia na hora de explicar quais ítens tinham ingredientes de origem animal, indo perguntar na cozinha quando ela não tinha a resposta e trocando molhos pra que meu prato fosse 100% vegetal.

Rachid’s

Avenida Estrela do Mar, 2231

E eu não podia deixar de fora a loja que é xará do blog. (Na verdade quase, pois o nome desse blog aqui é ‘Papacapim’ e o nome da loja é ‘Papa Capim’. Muita gente escreve o nome do blog separado, o que eu não consigo entender, já que ali em cima está escrito PAPACAPIM juntinho.) O engraçado é que alguns leitores de Natal me escreveram perguntando se eu tinha alguma coisa a ver com essa loja de produtos naturais. Uma leitora foi mais longe ainda e já chegou afirmando ‘A loja é sua, não é?’. Não, não é. Bem que eu gostaria de ter uma loja de produtos naturais, mas o nome foi só uma coincidência. Mas o dono da loja, olha que mundo pequenino, acabou descobrindo o meu blog e desde então acompanha o que escrevo por aqui. Eu sei porque ele me escreveu um email contando tudo:) Na loja você encontra uma variedade imensa de temperos (incluindo fumaça em pó, o que em terra de vegano equivale a ouro, pois trás de volta pra nossa dieta aquele sabor defumado que faz falta pra muita gente), leguminosas, cereais, farinhas integrais, suplementos e alimentos industrializados veganos e sem glúten (biscoitos, barrinhas, pães). Adorei os patês veganos à base de biomassa de banana verde (brilhante!) e tem também patês de tofu, que me impressionaram menos. Além da fumaça em pó, que é baratinha, achei mais dois tesouros por lá: morango congelado (muito mais barato do que morango fresco e perfeito pra fazer geleias, compotas e essa torta aqui) e chocolate de cupuaçu. Esse último revolucionou o meu mundo.

Papa Capim – alimentos saudáveis

Av. Prudente de Morais, 6332-A, Candelária

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Agora é só esperar pela próxima oportunidade de tomar café de frente pra esse mar, torcendo pra que no ano que vem Natal tenha uma variedade ainda maior de lugares veganos/vegetarianos e simpatizantes com a alimentação vegetal.

A primeira e a última foto foram feitas por Anne Paq.

Lembram do tour Papacapim na Palestina que aconteceu em novembro? Se você é novo no blog, aqui vai um resumo breve. Ano passado decidi colocar em prática uma ideia antiga: guiar um grupo de brasileiros na Palestina, pra compartilhar um pouco da vivência incrível que tive naquela terra durante os cinco anos em que chamei a Terra Santa de lar. Foram duas semanas intensas, recheadas de momentos especiais e encontros inesquecíveis. Esses posts mostram um pouco do que vivemos por lá, com  relatos dos participantes  e muitas fotos:

Tour Papacapim na Palestina – parte 1

Tour Papacapim na Palestina – parte 2

Hoje eu vim trazer boas notícias. O sucesso do tour foi tanto que esse ano vou levar mais dois grupos pra lá, um em outubro (9 ao 23/10) e outro em dezembro (4 ao 18/12).

Ficaremos o tempo inteiro na Palestina, mais precisamente na Cisjordânia (a Faixa de Gaza não faz parte do nosso roteiro). Visitaremos Belém, Jerusalém, Hebron, Ramala, Jericó e Nablus. A hospedagem será no campo de refugiados de Aida, onde seremos temporariamente adotados por uma família palestina que faz parte do projeto que ajudei a criar alguns anos atrás.

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Algumas das atividades programadas durante a viagem são: visita guiada dos campos de refugiados de Aida e Deheisha, tour político de Jerusalém Oriental, encontro com um Comitê de Resistência Popular, piquenique no deserto, caminhada de 6 horas em um oásis no caminho de Jericó, excursões gastronômicas pra provar as delícias típicas da região, aula de culinária tradicional (naturalmente vegana) com as mulheres do projeto no campo de refugiados de Aida, visita da feira de Belém, um dia relaxando no mar morto, encontro com ativistas palestinos e israelenses e muito mais.

O grupo de outubro ainda terá direito a um super bônus. Vamos participar da colheita de azeitonas e ver como essas frutas são transformadas em azeite. Vai ser mágico!

Os grupos são pequenos, com 6 pessoas cada, e estarei o tempo todo com os participantes, dormindo na mesma casa, partilhando informações, respondendo suas perguntas e dúvidas político-gastronômicas e ocasionalmente cozinhado pra turma.

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Os objetivos dessa viagem são: mostrar a Palestina que não aparece nos jornais, com suas paisagens lindas, sua culinária e cultura ricas e seu povo caloroso e resiliente, mas também apoiar a economia local, que está sendo estrangulada pela ocupação israelense. Os participantes também vão descobrir as iniciativas de resistência não-violenta que florescem por todos os lados e que não ganham atenção da mídia, e encontrar os ativistas palestinos, mas também israelenses, que estão por trás delas.

Serão 14 dias inesquecíveis, com encontros emocionantes com pessoas que estão lutando por justiça na região e degustação de pratos e mais pratos de hummus, além de uma quantidade obscena de falafel. Porque mudar o  (nosso) mundo é muito bom, mas mudar o mundo comendo hummus e falafel é melhor ainda!

Quem quiser fazer parte dessa aventura só precisa mandar um e-mail pra papacapimveg@gmail.com pra receber todos os detalhes (programação completa + preços). E acredite, o preço do tour é muito menor do que você deve estar imaginando. Aviso importante: mais da metade dos lugares já foram reservados (nos dois tours), então se você quiser se juntar a nós, me escreva o mais rapidamente possível.

Espero te ver daqui a alguns meses ao redor dessa mesa, ouvindo histórias e degustando as delícias que a Terra Santa tem pra oferecer.

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Fotos: Monastério grego ortodoxo no deserto (perto de Belém), onde faremos um piquenique, Jerusalém, Mar Morto, o Muro de Separação (construído por Israel) no campo de Aida, onde ficaremos hospedados (foto de Anne Paq), a Rua da Estrela, no centro antigo de Belém, que leva à Igreja da Natividade e comida típica no restaurante ao ar livre Hosh Yasmin, em Beit Jala.