Quando escrevi o primeiro Guia Vegano de Natal, em 2012, comer fora de casa ainda era um desafio pros veganos natalenses ou de passagem pela cidade. Um ano depois as opções tinham aumentado e escrevi a segunda parte do Guia. Esse ano fiquei extremamente feliz ao perceber que, seguindo a tendência mundial, o movimento vegetariano/vegano está ganhando força na cidade. Embora ainda não possa ser considerada um paraíso vegano, hoje a lista de restaurantes veganos/vegetarianos em Natal está mais longa e, o que me deixou mais impressionada, opções de pratos 100% vegetais aparecem no cardápio de vários restaurantes onívoros. Por isso repito: o futuro é vegetal!

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A descoberta mais feliz foi o restaurante vegano ‘A Casa’, que tem dois endereços na cidade. Um restaurante vegano no centro da cidade e outro perto da faculdade (pra facilitar a vida dos estudantes veganos e do pessoal veg que trabalha no centro), oferecendo comida nutritiva por um preço acessível? Maravilha! Fez muito sentido fazer a palestra ‘Alimentação vegana: elitista ou popular?’ nesse restaurante, pois eles estavam ali pra provar que comida vegetal é a mais popular e barata de todas. Como disse minha amiga Bárbara, ‘em que mundo feijão com arroz é mais caro do que bife?’. E A Casa faz um feijão delicioso. A feijoada vegana (foto acima), então, foi a melhor que já comi na vida! A comida é vendida no peso e eles também fazem quentinhas. Chegue cedo no restaurante de Potilândia (a primeira e segunda fotos), pois eles fazem comida em pequenas quantidades (pra não ter desperdício) e geralmente depois das 12h30 já acabou tudo. O restaurante do centro (terceira e quarta fotos) é bem maior e tem mais opções de pratos.

A Casa (aberto de segunda a sábado, das 11h30-14h)

Rua Granada, 126 – Potilândia

Rua Princesa Isabel, 680 (sobreloja da livraria Asa Branca)

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Pium, que fica a poucos quilômetros de Natal, está cada vez mais acolhedora pros veganos e o restaurante ‘Pé na Terra’ é mais uma opção pra quem estiver a caminho das praias do litoral sul, ou quiser respirar ares diferentes sem se afastar muito da capital. Lá você encontra tapiocas recheadas (tapioca com abacate, que ideia genial!), saladas, sucos, vitaminas, cervejas artesanais e nos fins de semana rola bobó de grão de bico (aquele que apareceu aqui no blog!). Também é possível encomendar comida (quentinhas ou congelados). Além de oferecer comida vegana, o local vende biocosméticos, grãos e ervas medicinais, além de promover eventos como bailes e apresentações de música brasileira. Que tal uma roda de coco com chope artesanal e comida vegana, tudo junto? Lá tem! E pra deixar essa feminista aqui ainda mais feliz, é um negócio criado por duas mulheres. Poucas coisas me alegram mais do que ver, e apoiar, negócios veganos criado por mulheres. Quando visitei o espaço elas estavam de mudança, então essa foto é do endereço antigo. Mas pelo que vi, o novo local é ainda mais lindo.

Pé na terra (de quinta a domingo, das 16h20-23h59).

Na Oca da floricultura Terra Viva, depois do posto policial da entrada de Pium.

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Meses atrás minha irmã enviou fotos do cardápio e das saladas lindas que ela comeu no restaurante ‘Enquanto seu lobo não vem’, dizendo que eu ia adorar o lugar. Ela estava certa. Apesar de não ser um restaurante vegano, o cardápio foi claramente criado pra alegrar essa parte da população. Tem muitas opções veganas (tudo claramente marcado no cardápio): saladas completas com proteína vegetal (tofu, cogumelo shitake, falafel ou hummus), entradas quentes, sanduíches e waffles salgados. Alguém deve ter contado pra eles que pra deixar os veganos realmente felizes era preciso oferecer sobremesas saborosas, então eles foram particularmente generosos nessa área. Tem waffles doces (abacaxi caramelizado, bola de creme de cupuaçu e calda de chocolate, ou com morangos frescos, sorvete de banana, creme de avelã e chantilly), sobremesas geladas (pedaços de brownie, sorvete de banana, calda de caramelo e chantilly) e cupcakes. E pro pessoal que evita glúten, além das saladas tem pene de arroz e cupcake sem glúten também. Os sucos e smoothies são divinos e ainda tem açaí, pra quem não é fã de sobremesas muito doces (presente!). Os preços são mais elevados, então é um lugar pra visitar só de vez em quando.

Enquanto seu lobo não vem (aberto de segunda a domingo, à partir das 12h)

Av. Praia de Genipabu, loja 12, Edifício Maria Clara, Ponta Negra

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‘Cantinho natureba’ é mais um restaurante mixto: metade do pequeno cardápio é veg, com opções que mudam diariamente. O lugar é simples, mas super agradável e no dia que estive lá pude escolher entre 4 opções veganas. Provei a berinjela assada com molho de tomate (que pedi sem o gorgonzola) e o tofu grelhado. Tudo acompanhado de salada, grão de bico e arroz integral. Nós, veganos, agradecemos quando os restaurantes entendem que ninguém fica de pé por muito tempo comendo somente folhas. Precisamos de cereais integrais e de leguminosas pra acompanhar a saladinha! E além dos pratos serem balanceados, as porções são honestas e gostei do carinho que colocaram na salada. Faltou o mesmo carinho com o tofu, mas é raro encontrar cozinheiros onívoros que sabem tratar esse ingrediente como se deve (com exceção dos japoneses, que fazem tofu melhor do que ninguém). A berinjela também deixou a desejar.

Conclusão: toda a minha gratidão vai pros restaurantes que se esforçam em oferecer opções veganas em seus cardápios, mas fico triste quando esses pratos são uma alternativa inferior em matéria de sabor. Bato palmas, muitas palmas pros chefs que decidem cozinhar pratos veganos, mas não custa nada fazer um esforcinho pra oferecer opções que sejam tão gostosas quanto os ítens onívoros do menu. Se não sabe como fazer isso, pergunte a um chef/cozinheiro vegano. Ou aos clientes veganos que aparecerem no seu estabelecimento. Tenho certeza que eles podem te dar boas dicas. Todo mundo vai sair ganhando: sua clientela vegana aumentará, você poderá se orgulhar de todos os pratos que saem da sua cozinha e até alguns onívoros começarão a pedir as opções veganas. Comida boa de verdade agrada qualquer pessoa, independente das orientações gastronômicas, e é cada vez mais comum ver onívoros optando por pratos vegetais por razões de saúde ou ecológicas.

Cantinho natureba (aberto de segunda a sexta das 11h30-15h, domingos e feriados das 11h30-14h30)

Av. Capitão Mor Gouveia, 167

Minha amiga Potyra me levou pra comer no restaurante libanês Rachid’s e foi uma alegria só! Ainda não conheci uma criatura sequer que não gostasse de comida libanesa, ou do Oriente Médio em geral. É muito, muito bom! E o que eu mais gosto nesse tipo de culinária é que ela é muito inclusiva: têm várias opções naturalmente veganas. Como esses pratos são tradicionais e não adaptações pra agradar os clientes vegs, você sente a (imensa) diferença no sabor. Foram gerações e mais gerações de mães cozinhando vegetais com amor, centenas de anos de acumulação de conhecimento pelos chefs, tudo traduzido naqueles pratos. Eles foram criados pra serem gostosos, não pra serem ‘saudáveis’, ‘naturais’ ou ‘veg-friendly’. E como eles foram criados com o único intuito de serem deliciosos, mesmo os onívoros se rendem aos encantos do falafel, hummus e afins. Na Palestina, por exemplo, sanduíche de falafel não é uma variação vegetal e inferior do sanduíche com carne. É um sanduíche à parte, que seduz tantas papilas quanto as opções com derivados de animais. Mas estou divagando.

Voltando ao Rachid’s, a comida não decepcionou. Os sabores são autênticos e os pratos veganos abundam: falafel, hummus, taboule, charuto de folha de uva ou couve, baba ganush (que na Palestina chamam de mutabbal), molho de tahine, pãozinho recheado com espinafre, mdardara (o mesmo que mujadara)… A oferta era grande e a moça que me atendeu foi uma simpatia na hora de explicar quais ítens tinham ingredientes de origem animal, indo perguntar na cozinha quando ela não tinha a resposta e trocando molhos pra que meu prato fosse 100% vegetal.

Rachid’s

Avenida Estrela do Mar, 2231

E eu não podia deixar de fora a loja que é xará do blog. (Na verdade quase, pois o nome desse blog aqui é ‘Papacapim’ e o nome da loja é ‘Papa Capim’. Muita gente escreve o nome do blog separado, o que eu não consigo entender, já que ali em cima está escrito PAPACAPIM juntinho.) O engraçado é que alguns leitores de Natal me escreveram perguntando se eu tinha alguma coisa a ver com essa loja de produtos naturais. Uma leitora foi mais longe ainda e já chegou afirmando ‘A loja é sua, não é?’. Não, não é. Bem que eu gostaria de ter uma loja de produtos naturais, mas o nome foi só uma coincidência. Mas o dono da loja, olha que mundo pequenino, acabou descobrindo o meu blog e desde então acompanha o que escrevo por aqui. Eu sei porque ele me escreveu um email contando tudo:) Na loja você encontra uma variedade imensa de temperos (incluindo fumaça em pó, o que em terra de vegano equivale a ouro, pois trás de volta pra nossa dieta aquele sabor defumado que faz falta pra muita gente), leguminosas, cereais, farinhas integrais, suplementos e alimentos industrializados veganos e sem glúten (biscoitos, barrinhas, pães). Adorei os patês veganos à base de biomassa de banana verde (brilhante!) e tem também patês de tofu, que me impressionaram menos. Além da fumaça em pó, que é baratinha, achei mais dois tesouros por lá: morango congelado (muito mais barato do que morango fresco e perfeito pra fazer geleias, compotas e essa torta aqui) e chocolate de cupuaçu. Esse último revolucionou o meu mundo.

Papa Capim – alimentos saudáveis

Av. Prudente de Morais, 6332-A, Candelária

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Agora é só esperar pela próxima oportunidade de tomar café de frente pra esse mar, torcendo pra que no ano que vem Natal tenha uma variedade ainda maior de lugares veganos/vegetarianos e simpatizantes com a alimentação vegetal.

A primeira e a última foto foram feitas por Anne Paq.

Lembram do tour Papacapim na Palestina que aconteceu em novembro? Se você é novo no blog, aqui vai um resumo breve. Ano passado decidi colocar em prática uma ideia antiga: guiar um grupo de brasileiros na Palestina, pra compartilhar um pouco da vivência incrível que tive naquela terra durante os cinco anos em que chamei a Terra Santa de lar. Foram duas semanas intensas, recheadas de momentos especiais e encontros inesquecíveis. Esses posts mostram um pouco do que vivemos por lá, com  relatos dos participantes  e muitas fotos:

Tour Papacapim na Palestina – parte 1

Tour Papacapim na Palestina – parte 2

Hoje eu vim trazer boas notícias. O sucesso do tour foi tanto que esse ano vou levar mais dois grupos pra lá, um em outubro (9 ao 23/10) e outro em dezembro (4 ao 18/12).

Ficaremos o tempo inteiro na Palestina, mais precisamente na Cisjordânia (a Faixa de Gaza não faz parte do nosso roteiro). Visitaremos Belém, Jerusalém, Hebron, Ramala, Jericó e Nablus. A hospedagem será no campo de refugiados de Aida, onde seremos temporariamente adotados por uma família palestina que faz parte do projeto que ajudei a criar alguns anos atrás.

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Algumas das atividades programadas durante a viagem são: visita guiada dos campos de refugiados de Aida e Deheisha, tour político de Jerusalém Oriental, encontro com um Comitê de Resistência Popular, piquenique no deserto, caminhada de 6 horas em um oásis no caminho de Jericó, excursões gastronômicas pra provar as delícias típicas da região, aula de culinária tradicional (naturalmente vegana) com as mulheres do projeto no campo de refugiados de Aida, visita da feira de Belém, um dia relaxando no mar morto, encontro com ativistas palestinos e israelenses e muito mais.

O grupo de outubro ainda terá direito a um super bônus. Vamos participar da colheita de azeitonas e ver como essas frutas são transformadas em azeite. Vai ser mágico!

Os grupos são pequenos, com 6 pessoas cada, e estarei o tempo todo com os participantes, dormindo na mesma casa, partilhando informações, respondendo suas perguntas e dúvidas político-gastronômicas e ocasionalmente cozinhado pra turma.

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Os objetivos dessa viagem são: mostrar a Palestina que não aparece nos jornais, com suas paisagens lindas, sua culinária e cultura ricas e seu povo caloroso e resiliente, mas também apoiar a economia local, que está sendo estrangulada pela ocupação israelense. Os participantes também vão descobrir as iniciativas de resistência não-violenta que florescem por todos os lados e que não ganham atenção da mídia, e encontrar os ativistas palestinos, mas também israelenses, que estão por trás delas.

Serão 14 dias inesquecíveis, com encontros emocionantes com pessoas que estão lutando por justiça na região e degustação de pratos e mais pratos de hummus, além de uma quantidade obscena de falafel. Porque mudar o  (nosso) mundo é muito bom, mas mudar o mundo comendo hummus e falafel é melhor ainda!

Quem quiser fazer parte dessa aventura só precisa mandar um e-mail pra papacapimveg@gmail.com pra receber todos os detalhes (programação completa + preços). E acredite, o preço do tour é muito menor do que você deve estar imaginando. Aviso importante: mais da metade dos lugares já foram reservados (nos dois tours), então se você quiser se juntar a nós, me escreva o mais rapidamente possível.

Espero te ver daqui a alguns meses ao redor dessa mesa, ouvindo histórias e degustando as delícias que a Terra Santa tem pra oferecer.

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Fotos: Monastério grego ortodoxo no deserto (perto de Belém), onde faremos um piquenique, Jerusalém, Mar Morto, o Muro de Separação (construído por Israel) no campo de Aida, onde ficaremos hospedados (foto de Anne Paq), a Rua da Estrela, no centro antigo de Belém, que leva à Igreja da Natividade e comida típica no restaurante ao ar livre Hosh Yasmin, em Beit Jala.

Faz tanto tempo que não escrevo um post da série ‘Como preparar…’ que acredito que o pessoal que chegou aqui há pouco tempo nem sabe que essa série existe. Um episódio que aconteceu no início de 2011 me mostrou, mais uma vez, que a maioria das pessoas que conheço não tem a menor ideia de como preparar legumes. Por isso resolvi escrever artigos explicando como preparar vegetais da maneira mais simples e saborosa possível. Desde então expliquei como preparar vários legumes, mas também quinoa, chia, missô, como fazer uma salada-refeição, como fermentar legumes e muito mais. Clique na página ‘Receitas‘ pra ver a lista completa de posts dessa categoria.

E o coming back hoje será em grande estilo. Não sei se a moda já chegou no Brasil, mas aqui na Europa (e nos EUA) já faz alguns anos que só se fala em kale. Essa folha humilde, cultivada há mais de 2 mil anos e que até o final da idade média era um dos legumes mais consumidos na Europa, estava fora de moda. Kale é um tipo de couve, membro da família das brássicas (a mesma do brócolis, couve-manteiga, repolho, couve-flor, couve de Bruxelas), que é provavelmente a turma de vegetais menos popular de todas. Por isso ele foi esnobado e trocado por verduras mais sexys e que agradam mais facilmente os paladares de hoje. Mas agora ele voltou com força total e é o vegetal mais in do momento.

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Por que esse burburinho todo ao redor do kale agora? Porque descobriram que ele é um dos alimentos mais ricos em nutrientes de todos. A comparação aqui é feita baseada na quantidade de nutrientes oferecidos por caloria e esse valor é realmente impressionante. Kale oferece mais proteínas do que qualquer outra verdura. Ele também tem ferro (caloria por caloria, ele tem mais ferro do que carne vermelha), cálcio, ômega 3 (!!!!) e muitas vitaminas. Uma xícara de kale cru oferece mais de 200% da vitamina A que necessitamos num dia,  mais de 130% da vitamina C e quase 700% da vitamina K! Essa última informação é muito importante, já que a vitamina K é essencial no processo de coagulação do sangue, é importante no desenvolvimento do esqueleto, na manutenção dos ossos e também no crescimento celular.

Se você está pensando que precisa urgentemente incluir kale na sua dieta, mas, droga!, essa hortaliça não é vendida na sua cidade, não precisa se aborrecer. Nossa couve-manteiga, aquelas folhas grandes que gostamos de refogar e servir acompanhando a feijoada, também é um boa fonte de proteínas, minerais, vitamina C e K. Faz sentido, pois como expliquei no início do texto o kale nada mais é do que um tipo de couve mais fina e frisada. Embora o kale seja realmente mais rico em nutrientes do que nossa couve (que, não custa repetir, também é uma bomba de nutrientes!), a verdadeira diferença entre os dois é gastronômica. Kale, já mencionei, tem folhas mais finas e o sabor é mais suave do que a nossa couve.

Na hora de escolher kale na feira e guardá-lo em casa, as dicas são as mesmas da couve. Escolha folhas de um verde escuro e vivo (evite as amareladas) e bem crocantes. Se as folhas estiverem moles e não fizerem mais barulho quando amassadas, elas não estão mais frescas e já perderam suas vitaminas. Pra conservar as folhas, e preservar as vitaminas por mais tempo, aqui vai uma dica que aprendi com a minha mãe: lave bem e envolva as folhas ainda molhadas em um pano de prato grande o suficiente pra cobri-las totalmente. Guarde dentro de uma vasilha de plástico tampada na geladeira. Guardadas assim as folhas se conservam uma semana.

E justamente por ter folhas mais finas o kale é uma delícia cru. O que faz muito sentido se você quiser aproveitar plenamente a vitamina C que ele oferece. Essa vitamina é muito sensível e não gosta de calor. Dependendo do método de cozimento (calor intenso ou moderado) boa parte da vitamina C presente no alimento é destruída. E como aqui na Inglaterra não tenho acesso à muitas frutas frescas nessa estação, o kale que trago da feira orgânica está sendo minha principal fonte de vitamina C no momento, logo quero aproveitá-la ao máximo.

Acredito que devemos a volta do kale à comunidade crudívora, por isso atualmente a maneira mais popular de prepará-lo é massageado, uma técnica muito usada nesse tipo de culinária. Mas kale pode ser preparado exatamente como couve: refogado, no vapor… (Veja como preparar couve aqui)

Adoro colocar essas folhas em sopas e feijões. Nesse caso acrescento o kale picadinho cru diretamente no prato onde será servido a refeição e despejo a mistura quente por cima. O calor da sopa/feijão é suficiente pra deixar as folhas tenras, mas preservando os nutrientes.

Kale massageado

Lave bem as folhas e retire os talos. Eles são comestíveis, mas com são bem duros não são muito bem-vindos em saladas. Guarde os talos e use (picado) em sopas, feijão ou em sucos. Pra retirar os talos basta segurar a folha na vertical, com o final do talo pra cima. Use a mão esquerda, se você for destra/o. Com sua mão livre passar uma faca amolada bem rente ao talo, de cima pra baixo, separando a folha. Repita do outro lado, cortando a segunda metade da folha. Você também pode usar as mãos pra fazer isso.

Corte as folhas (agora sem talo) em pedaços pequenos. Mais uma vez você pode usar as mãos aqui pra rasgar as folhas. Salpique uma pitada generosa de sal sobre as folhas picadas, mais um fio de suco de limão. O sal e o limão vão ajudar a quebrar um pouco as moléculas do kale e deixá-lo mais macio. Use as mãos pra massagear as folhas até elas reduzirem de volume e adquirirem um aspecto de cozidas (veja as fotos abaixo).

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 Seu kale está pronto pra entrar em qualquer salada crua que você quiser. Não esqueça de acrescentar um fonte de gordura boa (azeite, óleo de linhaça, abacate) na salada, pra que todos os nutrientes sejam absorvidos pelo organismo (muitos nutrientes são lipossolúveis) e pro sabor ficar mais agradável.

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Salada verde com kale massageado, alface e brotos de alfafa

Se o sabor do kale parece forte demais pra você, aconselho misturá-lo com outras folhas de sabor suave. Nessa salada usei metade kale massageado, metade alface verde e roxa e um punhado de brotos de alfafa + minha vinagrete preferida. Opcional: toste sementes de gergelim e salpique sobre sua salada na hora de servir.

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Kale massageado com laranja e sementes de girassol

Esse é o tipo de salada de kale que faço com mais frequência. Adoro incluir frutas frescas e sementes nas minhas saladas e acho que um pouco de doçura natural é tudo o que você precisa pra deixar o sabor forte do kale mais palatável.

Faça o kale massageado como explicado na receita acima. Misture com pedaços de laranja. Aprenda e cortar a casca da laranja, e qualquer outra fruta cítrica, nesse post (que também conta uma história muito emocionante) e sementes de girassol ligeiramente tostadas (em um frigideira seca, por cerca de 30 segundos). Também uso minha vinagrete preferida aqui, mas você pode temperar a salada simplesmente com azeite e vinagre balsâmico, se quiser.

-Variações: substitua a laranja por maçã, pera ou abacate em cubos. Substitua as sementes de girassol por gergelim, sementes de abóbora, nozes, castanha do Pará ou amêndoas. Você também pode usar esse molho de tahine, que deixa a salada ainda mais especial.