Quem me segue no Instagram já sabe: estou atualmente em Natal, comendo toda a tapioca e a macaxeira que o meu estômago aguenta. Estou fazendo reservas pros longos meses (dessa vez foram 18!) que passo longe dos trópicos. Mas além disso também participarei de alguns eventos em terras tupiniquins.

Esse fim de semana vai ter um retiro gastronômico na Serra Negra-PE, onde passaremos dois dias cozinhando e degustando delícias (vai ter até fondue de queijo vegano!). Dia 2 participo do Cultura Veg em Recife. Dessa vez o tema será “Culinária vegana: elitista ou popular?” e a conversa vai ser muito interessante. Se estiverem na cidade nesse dia, não percam! E dia 28 volto a Recife pra fazer uma demonstração de culinária durante um curso ministrado pelo dr Eric Slywitch (meu heroi!). Tem também uma oficina planejada aqui em Natal, mas que ainda não foi confirmada. Aproveito pra dar um recado: leitores potiguares, se quiserem organizar um evento comigo, sintam-se à vontade pra me contactar. Não tenho muito tempo livre, mas ainda dá pra encaixar uma ou outra coisinha.

 E quem daqui toparia um piquenique Papacapim no bosque?

Entre a França, onde passei as últimas semanas de dezembro, e o Brasil, onde estou agora, fiz uma conexão de 24 horas em Lisboa. Eu tinha ido à Lisboa muitos anos atrás e lembrava de ter adorado a cidade. Mas como eu não era vegana na época, não sabia que opções de comida vegetal a cidade tinha pra oferecer. Eu só fiquei um dia na cidade, mas estava decidida a usar esse tempo pra passear pelas ruas dos bairros do centro histórico e comer no maior número de restaurantes veganos possível.

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19h

Cheguei no aeroporto de Lisboa e me dei conta que, por estar fazendo uma conexão, minha mala seria encaminhada diretamente pro destino final da viagem. Ops! Depois de ter passado na farmácia do aeroporto pra comprar escova de dentes, pasta e sabonete, peguei um taxi pra pousada onde eu iria passar a noite.

20h 

Já na pousada comecei a fazer pesquisas internéticas pra ver se tinha algum restaurante veg(etari)ano por perto. Depois de uma hora de surf virtual sem resultados (era primeiro de janeiro, estava tudo fechado) abandonei a missão e decidi que pedir pizza por telefone era a melhor solução. Eu queria descobrir os restaurantes vegs da cidade, mas precisava ser realista. E precisava colocar algo no estômago rápido.

21h

Na recepção da pousada pedi ajuda à uma simpática Eugênia, que sabia perfeitamente o que era veganismo e decidiu que seria sua missão encontrar um jantar 100% vegetal pra mim. Depois de uma hora telefonando pra várias pizzarias (a metade estava fechada, a outra metade não fazia entrega) conseguimos falar com alguém que estava disposto a trazer uma pizza vegetariana, mas sem queijo, pra pousada. O único problema era que por causa da grande quantidade de encomendas a pizza só chegaria dali a duas horas. Duas horas!!!

24h

Jantar, enfim! Pizza com vegetais, degustada no quarto da pousada, não era exatamente o que eu esperava pra minha primeira refeição na cidade, mas pelo menos não fui dormir com a barriga vazia.

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9h

Enquanto esperava a pizza da noite anterior explorei (virtualmente) todos os restaurantes vegetarianos e veganos da cidade e fiz a lista do que visitar durante o dia. Pra quem ainda não conhece, o site Happy Cow foi a melhor invenção depois do hummus. Se eu puder escolher entre um restaurante vegetariano e um restaurante vegano, prefiro sempre o segundo. Porque gosto de apoiar restaurantes 100% vegetais, mas também por uma razão puramente egoísta: pra ter o prazer de abrir um cardápio e saber que posso escolher qualquer prato (todos os pratos!) dali. Mas infelizmente dos três restaurantes veganos da cidade (segundo o Happy Cow) um estava fechado no dia 2 de janeiro e o outro ficava muito longe do meu caminho, então só pude visitar um. E os restaurantes vegetarianos só abriam pro almoço, logo ficou o problema do café da manhã. Decidi ir à uma padaria orgânica, na esperança de encontrar pelo menos uma opção vegana por lá. E só pra garantir deixei a pousada com o endereço de uma outra padaria, que ficava por perto, na bolsa.

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11h

Depois de ter passeado pelas ruas do centro e feito muitas paradas pra fotos, cheguei na tal padaria orgânica. Fechada. A segunda padaria estava igualmente fechada. Acabei encontrando uma padaria aberta, mas as opções veganas eram quase zero. Tomei um café com um pãozinho doce e nada mais. No meio de pastéis de nata, sanduíches de presunto e muitas quiches me dei conta que o café da manhã ainda é, em muitos lugares do mundo, a refeição mais difícil pros veganos.

13h

Depois passear mais um pouco pelas ruas de Lisboa, fiz outra pausa-café. Eu viajo assim: caminho, caminho, tomo café, caminho, caminho, tomo café… Eu tinha quase certeza que a resposta seria ‘não’, mas mesmo assim perguntei se tinha leite de soja pra fazer um cappuccino vegano. Os cafés só começarão a oferecer opções veganas quando perceberem que existe uma clientela…vegana. Por isso é tão importante sinalizar a existência dos veganos em cafés, restaurantes e lanchonetes.

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15h

O ponto alto da viagem-relâmpago: a visita ao restaurante vegano ‘Be Happy bar’. Esse lugar era vegetariano e está em processo de veganização. No dia que fui lá quase todos os pratos oferecidos eram veganos e a meta deles é oferecer um cardápio 100% vegano até o dia 12 de janeiro. Achei isso tão bacana que fiquei ainda mais feliz por ter ido comer lá. Provei: coxinha de legumes, francesinha (um sanduíche típico português em versão vegana, com legumes grelhados e seitan, servido coberto de molho de tomate), ‘peixe’ vegano (tofu enrolado em algas marinhas, empanado e frito, acompanhado normalmente com purê, mas no dia pedi que viesse com legumes) e cheesecake de limão com calda de cereja. Os pratos estavam muito bons, mas a sobremesa foi a vedete do almoço. Antes de ir embora tive dois dedinhos de prosa com os donos, um casal de brasileiros muito simpáticos. Recomendadíssimo! Pra quem quiser ir lá: Be Happy bar, rua Presidente Arriaga, 55, Alcantara.

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17h

No caminho entre o restaurante e a pousada fui invadida por pensamentos insanos. E se eu fosse morar uns tempos em Lisboa? E se eu alugasse uma casa ali, oferecesse oficinas de culinária e criasse um ‘pop up restaurant’? Aquele cheesecake colocou ideias na minha cabeça…

19h

De volta ao aeroporto, me despedi da cidade decidida a voltar ali em breve e ficar bem mais do que 24 horas.

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*As fotos 1, 6, 11, 12 e 21 foram feitas por Anne Paq.

Tempos atrás criei uma tradição aqui no blog: encerrar o ano escolhendo os melhores posts do ano. Mas 2014 não foi um ano como os outros. Ele foi regido pela instabilidade (geográfica, legal, emocional e financeira) e pela primeira vez desde que criei o Papacapim, no início de 2010, abandonei o blog por várias semanas consecutivas, várias vezes. As dificuldades pessoais foram tamanhas que não pude manter o ritmo regular de postagens que sempre tive, tirando uma ou outra exceção, e teve períodos onde as teias de aranha reinaram por aqui. Ao ponto de ter chegado a receber um email de uma leitora perguntando se o blog tinha acabado.

Por isso a lista dos melhores posts desse ano será mais curta do que a dos anos anteriores e não terá nenhuma receita (ou quase). Quando tentei escolher minhas receitas preferidas de 2014 percebi que publiquei poucas esse ano, mas que, talvez justamente por isso, todas elas são muito especiais pra mim. Esse ano vou dar uma de mãe e declarar que amo todas as minhas crias do mesmo jeito. Se você ainda não viu o que saiu da minha cozinha em 2014 recomendo que leia tudo com atenção. Esse ano a safra foi reduzida, mas recheada de pérolas.

Então aqui vai minha seleção, um mix de coisas relacionadas ao veganismo, histórias pessoais e pessoas maravilhosas que me deram a honra de aparecer por aqui.

Guia Vegano de Amsterdã. O mais completo e saboroso que fiz até hoje.

Um questionário muito especial, respondido pela minha melhor amiga e por mim (e a sobremesa que encantou todas as pessoas que a provaram).

Quando me apaixonar não estava nos meu planos, mas aconteceu mesmo assim.

O post que respondeu uma das perguntas que me fazem com mais frequência.

Entrevistei pessoas incríveis esse ano. Bárbara e Suzy, que se juntaram à Ingrid e compartilharam dicas de alimentação saudável pra crianças. Lobo e Samara, contaram como o veganismo entrou em suas vidas. E o discurso forte e revelador de Haidi, uma ativista israelense.

Quando expliquei o silêncio por aqui e provoquei uma enxurrada de comentários transbordantes de afeto, o que me emociona sempre que volto lá.

E, claro, o tour vegano na Palestina, com depoimentos dos participantes.

Obrigada por terem acompanhado o blog, apesar das ausências e das teias de aranha. Que 2015 seja luminoso pra todos nós e recheado de delícias vegetais. E está aberta a temporada de pedidos de posts pro ano que vem: não sejam tímidos!