A terceira receita da série « comida pra entreter » ou « como os veganos fazem pra preencher o espaço vazio entre duas fatias de pão” é um clássico. Quem não conhece “hummus”, o rei absoluto dos patês no Oriente Médio? Se você acha que a maior contribuição da civilização árabe ao resto do mundo foi a álgebra é porque você ainda não provou hummus.
Aqui onde moro, mas também nos países vizinhos, não se passa um dia sequer sem que um prato de hummus apareça na mesa das pessoas. Nunca encontrei na casa de nenhum dos meus amigos palestinos um só pote de manteiga ou margarina. A única coisa que o pessoal daqui aceitará passar em seu pãozinho é uma generosa camada de hummus (iogurte e azeite também são apreciados, mas isso é outra história). Trocar a gordura saturada e o colesterol da manteiga, sem falar das gorduras trans da margarina, por um patê rico em proteína e cálcio, sem um graminha sequer de colesterol é bem mais inteligente! E o amado, saboroso e nutritivo hummus vem com uma (imensa) vantagem extra: é naturalmente vegano. Como esses árabes são sábios! Proponho que você retire suas mãos do teclado agora e bata palmas pra eles, em sinal de admiração.
Com vantagens gastronômicas, nutritivas e éticas, não é de se espantar que o hummus tenha se espalhado pelo mundo afora. Ele virou um dos queridinhos da comunidade veg mundial. Outro dia vi uma autora de livros de culinária vegana dizer que “hummus é pros veganos o que o ar é pro resto dos mortais”. Exageros à parte, esse patê simples de fazer e barato vai te ajudar a preencher a lacuna que o requeijão e queijo deixaram na sua vida. E mesmo que você coma queijo e requeijão, ele vai te ajudar a variar o cardápio e encantar seus convidados na próxima festa ou jantar que você fizer.
Você vai encontrar aqui a receita tradicional do hummus e uma versão “mediterrânea”, uma releitura que fiz usando alguns dos meus ingredientes preferidos. Comece experimentando a versão original mas não deixe de provar também a minha receita que, embora tenha saído tristinha na foto, em matéria de sabor não faz feio do lado do famoso hummus. E olha que competir com o rei dos patês não é fácil!
Hummus
2x de grão de bico cozido, sem tempero e sem sal
3cs de tahina (pasta de gergelim, saiba mais sobre esse ingrediente aqui)
2cs de suco de limão
1 dente de alho médio picado
¼ x de água
2cs de azeite
uma pitada de pimenta do reino
sal a gosto (comece com ½ cc rasa e acrescente mais depois, se preciso)
Bata todos os ingredientes no liquidificador até ficar homogêneo e bem cremoso. Talvez você precise desligar o liquidificador uma vez e mexer a mistura com uma colher pra facilitar o processo. Sirva com torradinhas, biscoitos salgados ou legumes crus cortados em palito (cenoura, pimentão, pepino, abobrinha). Também pode ser usado como base pra sanduíche (pão, hummus, tomate e alface, por exemplo). Aqui na Palestina o hummus é servido como na foto: regado com um pouco de azeite e com alguns grãos de bico inteiros e uma pitada de páprica pra decorar. Rende 2x. Se conserva alguns dias na geladeira em um recipiente bem fechado.
Hummus com pimentão e alho assados
Pimentão assado (ou grelhado) é uma delícia e pode ser usado em sanduíches, saladas ou como antepasto. Alho assado tem um sabor suave e quase adocicado e fica ótimo em patês, molhos ou simplesmente passado no pão. Pra quem nunca assou esses legumes o processo pode parecer complicado, mas depois de fazer a primeira vez você será capaz de assar pimentão e alho de olhos fechados.
2x de grão de bico cozido, sem tempero e sem sal
1 pimentão vermelho (tem que ser vermelho)
1 cabeça de alho (parece muito mas alho assado tem um gosto bem suave)
4cs + 1 cc de azeite
2cs de suco de limão
½ cc de ervas finas desidratadas (uma mistura de alecrim, orégano, manjerona e manjericão, ou um dos quatro)
uma pitada de pimenta do reino
sal a gosto (comece com ½ cc rasa e acrescente mais depois, se preciso)
água, se necessário
Aqueça o forno em temperatura alta. Lave o pimentão e reserve. Corte o topo da cabeça de alho (do lado contrário da raiz), só o suficiente pra expor alguns dos dentes (veja foto abaixo) e regue com 1cc de azeite. Coloque o alho e o pimentão (inteiro) no forno (diretamente sobre a grelha) e deixe assar até a casca do pimentão ficar chamuscada em vários lugares (veja foto abaixo) e o alho ficar macio. No meu forno leva meia hora, mas o tempo de cozimento varia dependendo do forno. É possível grelhar o pimentão diretamente na chama do fogão, mas nunca testei esse método. Retire o pimentão do forno e coloque-o imediatamente em um recipiente plástico com tampa, tampe bem e deixe descansar 10 minutos. Isso vai fazer o pimentão “suar” e a casca vai se desprender naturalmente. Enquanto isso deixe o alho assado esfriar. Depois do “repouso”, corte o pimentão ao meio, no sentido do comprimento, retire as sementes e o cabinho depois corte cada metade ao meio novamente, sempre no sentido do comprimento. Com os dedos, puxe a pele dos pedaços de pimentão, retirando-a completamente. Coloque o pimentão assado, o grão de bico, o suco de limão, as ervas, o sal, a pimenta do reino e 4cs de azeite no liquidificador. Desprenda os dentes de alho e esprema-os um por um sobre os outros ingredientes (alho assado vira uma pasta e você não terá nenhuma dificuldade em espremê-lo pra fora da casca). Bata tudo no liquidificador até ficar cremoso. Se a mistura parecer muito grossa e difícil de liquidificar junte um pouco de água, 1cs por vez (não passe das 3cs), até atingir uma conscistência mais fina. Mas cuidado pra não colocar água demais, o patê tem que ficar bem espesso. Se preciso desligue o liquidificador e mexa o patê com uma colher pra facilitar o processo. Prove os temperos e junte um pouco mais de sal, pimenta e/ou ervas se achar necessário. Sirva como o hummus tradicional: com torradinhas, biscoitos salgados e palitos de legumes crus. Vale lembrar que esse patê também é uma excelente base pra sanduíches (imagino que em um pão com cereais, com fatias de tomate, um pouco de rúcula e algumas azeitonas fica supimpa!). Rende 2x. Se conserva alguns dias na geladeira, em um recipiente bem fechado.



Cara… Chegou dar uma fome!
Sandra,
Conheci sua história através do Vista-se e fiquei admirado. E ao entrar aqui no blog fiquei ainda mais admirado e também muito feliz por encontrar várias receitas dignas de publicações mundo afora.
Parabéns por todo o seu trabalho comunitário/ativista/culinarista, continue espalhando o amor verdadeiro pelo mundo.
Recentemente, um pequeno depoimento sobre o meu ”Jantar no Trabalho” foi pulicado no Vista-se, se quiser conferir:
http://vista-se.com.br/redesocial/jantar-no-trabalho/#more-7270
Um grande abraço e saudações veganas.
Marcos, obrigada por ter passado por aqui e por ter escrito essas linhas tão gentis. Eu ja tinha lido seu artigo, mas agora aproveitei pra deixar um comentario. Abraços.
Muito bom o seu blog! Também o conheci pelo Vista-se e já estou há um tempão passeando entre as receitas e histórias. O texto é gostoso, leve e a gente fica com a impressão de que você é uma amiga de longa data. Parabéns pelo trabalho, era algo que realmente faltava.
Abraços!
Vania, muito obrigada pela visita. Que bom que você gostou do blog e dos textos que escrevo. Abraços
sandra, pq a primeira receita nao tem azeite??? o que vc fez aqui nao tinha pimentao e tinha azeite… nao entendi! Acho gostoso com azeite… posso colocar na primeira receita???
Lulu, quando comecei a fazer hummus não usava azeite misturado com a receita, e sim por cima, na hora de servir (como na foto). Mas as duas maneiras são boas, o importante é ter um pouco de azeite (dentro ou por cima). Já corrigi a receita.
P.S. a foto ficou linda!
Valeu Sandra… vou fazer um huminho hoje
Acabei de fazer hummus… quase detono o liquidificador daqui, mas no fim ele sobreviveu!
Ja dei uma compota pra Laurinho e outra pra Luna
Como boa irmã, eu fiz a receita e claro, não medi nada…tudo no olho! Resultado…divino!!! Uma delicia
Me lembrei muito de vc enquanto fazia
Vc usa grão de bico com casca? Acho tão trabalhoso descasca-lo que faço hummus muito menos vezes do que gostaria.
Nunca descaquei grão de bico, Renata. E aqui onde moro grão de bico é uma das comidas mais tradicionais (o hummus nasceu por aqui) e absolutamente ninguém tira casca.
que legal ,vou fazer ainda hoje, até ja cozinhei o grão de bico. beijos.
Bonjour, Sandra! Nesse fim de semana fiz a versão do hummus com pimentão vermelho e alho. Porém, como eu sou extremamente desorganizado (aliado à desorganização da casa no pós-obra), só quando coloquei o pimentão e o alho no forno é que me dei conta que não tinha todos os ingredientes. Faltavam-me o limão, a pimenta do reino e as ervas finas. Pensei, pensei, e entre cobras e lagartos o homem-gambiarra e o Professor-Pardal apareceram. No lugar do limão, usei duas colheres de sopa de tahine. Tinha uma mistura de pimenta com cominho que minha sogra usa e lancei mão dela tb. Não uma mão cheia, uma ponta de faca só, sei lá, meia colher de chá. E apelei pra flor de sal que sobreviveu à obra. E coloquei uma colher de sopa a mais de azeite do que você indicou. Essa odisséia culinária me rendeu dois potinhos pequenos, sendo que um já foi devidamente devorado, ou seja, não ficou como a sua receita, nem ficou como o hummus tradicional, um palestino provavelmente não aprovaria, mas ficou bom, e continuou vegano! rs…
Beijos pra vc e Anne!!
Sou totalmente a favor de gambiarras na cozinha, Carlos:-)
Sandra! Estou fazendo uma nova versão de Hummus com o grão de bico germinado. Só precisa descascar pois a casca crua é super indigesta. Vale a pena experimentar Fica delicioso!
Obrigada pela dica, Lídia. Eu não sou muito fã de grão de bico germinado, pois acho o sabor ligeiramente desagradável, mas talvez no hummus (junto com os outros ingredientes) ele fique melhor… E se você diz que ficou delicioso, eu acredito:)
Sandra, uma dúvida, esse grão de bico cozido, eu tenho que deixar de molho uma noite e depois cozinhá-lo na panela? Se for, quanto tempo eu deixo?
Obrigada.
Sim, você deixa de molho o grão de bico seco por uma noite, depois cozinha na panela de pressão (não esqueça de descartar a água do molho e usar uma água nova pra cozinhar). Geralmente deixo cozinhar entre 1 e 2 horas, dependendo do grão de bico (quanto mais velho, mais tempo leva pra cozinhar). Desligue depois de 1 hora, deixe a pressão se liberar e confira se já cozinhou ou se precisa de mais tempo no fogo.