Posts de categoria: Pratos principais

Esse será um post relâmpago, pois ando correndo de um compromisso pra outro e tenho exatos 23 minutos pra escrever esse texto, comer, tomar banho e sair novamente.

Na categoria de comida vegana, barata, simples e capaz de satisfazer os apetites mais vorazes tem essa massa com feijão e tomate. Tempos atrás descobri que na Itália o pessoal gosta de servir macarrão com feijão e embora eu tenha achado a ideia estranha no início, resolvi experimentar, fazendo minha própria versão do clássico italiano, e adorei o resultado. Certo, não é exatamente uma receita sofisticada, daquelas que a gente faz pra impressionar futuros sogros, mas ela quebra um tremendo galho quando você precisa de algo gostoso pra reconfortar o estômago.

Se você faz parte do grupo de veganos que come macarrão com molho de tomate com frequência, por falta de opção ou preguiça de cozinhar, essa é a versão mais nutritiva e saborosa desse clássico (feijão e macarrão formam um proteína vegetal completa).

pasta com feijão e tomate

Pasta com feijão e tomate

Esse é um prato simples, rústico e barato, perfeito pra acalmar grandes apetites (adolescentes, estudantes, trabalhadores braçais, voluntárias em campos de refugiados e toda pessoa em fase de crescimento- independente da direção). Se quiser deixar o prato mais especial, veja algumas sugestões no final da receita.

1 cebola, picada

4-6 dentes de alho, ralados/picados

4 tomates maduros, picados

2cs de extrato de tomate

2x de feijão branco cozido (na água com sal e umas folhinhas de louro)

1/2cc de raspas de limão (cuidado pra não raspar a parte branca dos limão, pois o sabor é amargo)

Azeite, sal e pimenta do reino a gosto

200g de macarrão (idealmente uma massa curta, como penne, gravata ou parafuso)

Aqueça 1cs de azeite e doure a cebola. Junte o alho e deixe cozinhar mais alguns segundos.  Acrescente o tomate picado e o extrato de tomate e deixe cozinhar, coberto, até a mistura se transformar em um molho espesso. Tempere com sal, pimenta do reino e as raspas de limão. Junte o feijão cozido e, se o molho estiver muito espesso, um pouco de água (ou, melhor ainda, do caldo de feijão). Deixe ferver, prove e corrija o tempero, se necessário. Reserve.

Cozinhe o macarrão al dente em bastante água salgada. Aqueça o molho, se necessário. Misture o macarrão com o molho e regue com bastante azeite e mais pimenta do reino (de preferência moída na hora) antes de servir.  Rende 2-4 porções, dependendo do apetite.

*Sugestões: se quiser incrementar essa receita junte um punhadinho de tomate seco ou manjericão fresco picado ao molho (ou os dois) e polvilhe a massa pronta com castanha do Pará ralada.

 

A dica do Guia Papacapim de alimentação saudável desse mês é “Faça do feijão uma presença obrigatória no seu cardápio diário”, por isso decidi postar mais receitas que incluam leguminosas por aqui durante as próximas semanas. Não que o blog não esteja recheado de receitas com feijões, grão de bico e lentilha, basta espiar a página ‘Receitas’ pra se dar conta disso, mas acho essa categoria de alimentos tão essencial que estou sempre procurando maneiras criativas de prepara-los pra que eles apareçam ainda mais na minha mesa.

Dentre as leguminosas a lentilha é provavelmente a mais prática, pois não precisa ficar de molho antes de ser preparada e não precisa da panela de pressão pra cozinhar. Eu sempre fui fã de lentilha, mas desde que me tornei vegana e, principalmente, desde que me mudei pra Palestina, meu consumo de lentilha quadruplicou. Conheço muitas famílias no campo que comem lentilha com muito mais frequência do que carne, pois o quilo da carne vermelha aqui custa em torno de 35 reais, enquanto um quilo de lentilha custa 4 reais. Por aqui a lentilha é chamada de ‘a carne do pobre’ e isso sempre me faz pensar no mito de que ser vegetariano é mais caro, o que tanta gente repete por aí…

Muitas luas atrás preparei um prato (de inspiração holandesa) com repolho roxo, maçã e vinho tinto. Achei o prato gostoso, mas como ele não fez muito sucesso com a outra moradora daqui de casa, nunca repeti a receita. Porém fiz a seguinte anotação mental: repolho e maçã cozidos + uma ponta de acidez = ótima ideia. Precisei de alguns anos pra utilizar a combinação novamente, mas essa salada de lentilha ficou tão boa que fiquei um pouco aborrecida comigo mesma por não ter colocado a ideia em prática mais cedo.

Essa salada usa ingredientes simples, mas o que a torna realmente especial é a quantidade ligeiramente elevada de vinagre. Por isso é extremamente importante usar um vinagre de boa qualidade aqui. Ela consegue misturar os sabores doce, salgado e ácido de maneira harmoniosa e foi um sucesso imediato com as minhas papilas. Mas um aviso: se agridoce não é a sua praia, talvez essa receita não seja pra você. Mas dessa vez todos os habitantes da minha casa aprovaram o prato…

 salada agridoce de lentilha, repolho e maçã2

Salada agridoce de lentilha, repolho roxo e maçã (vegana, sem glúten)

1/2x (120g) de lentilha crua

1-2 folhas de louro

1 1/2x  (120g) de repolho roxo, cortado em fatias finíssimas

1 cebola, picada

1 maçã, picada em cubos médios (com a casca)

2-3 dentes de alho, amassados/ralados

1cs de passas

4cs de azeite

3cs de vinagre de maçã ou vinho (de boa qualidade)

Sal (de preferência esse sal com salsão) e pimenta do reino a gosto

2cs de cebolinha verde picada (só o verde, opcional)

Em uma panela média cubra a lentilha com 3x de água fria. Junte as folhas de louro, sal (uso aproximadamente 1/2cc rasa) e leve ao fogo alto. Quando começar a ferver baixe o fogo e deixe cozinhar semi-coberto até a lentilha ficar macia, mas ainda al dente. Cuidado pra não cozinhar demais, senão a lentilha vai se desintegrar na salada. Escorra (descarte as folhas de louro) e reserve.

Enquanto a lentilha cozinha, prepare o resto dos ingredientes da salada. Em uma frigideira grande e funda aqueça 1cs de azeite e doure a cebola. Junte a maçã e o alho e cozinhe 2 minutos em fogo alto, mexendo uma ou duas vezes, pra que a maçã comece a dourar. Junte o repolho, baixe o fogo e cozinhe coberto até a maçã amolecer um pouco.

Quando a maçã e o repolho estiverem macios junte as passas, tempere com sal com salsão (ou sal comum), uma pitada generosa de pimenta do reino, regue tudo com 2cs de vinagre e cubra a frigideira (o vapor do vinagre vai irritar os seus olhos, então se afaste um pouco). Espere o vinagre evaporar completamente (alguns segundos são suficientes) e desligue o fogo.

Despeje a lentilha cozida e escorrida na frigideira, regue com 3cs de azeite, mais 1cs de vinagre e misture bem. Prove e corrija o sal e a pimenta do reino, se achar necessário. O sabor deve ser ligeiramente ácido, mas não muito, e bem marcante, então ajuste o tempero de acordo com o seu gosto. Polvilhe com a cebolinha picada, se estiver usando, e sirva a salada ainda morna. Rende 2 porções como prato principal ou 4 porções como acompanhamento.

 

Expliquei uns tempos atrás que minha receita de massa com couve-flor assada e molho de nozes é o que sirvo sempre que tem convidados onívoros em casa, pois ela nunca decepciona. Mas no meu repertório de receitas ‘onívoro-friendly’ tem uma ainda mais simples, mas que sempre agrada: meu ensopado marinho. Essa foi uma das primeiras receitas que publiquei no blog e até hoje o pessoal me escreve dizendo o quanto gostou desse prato. Embora minha massa seja mais sofisticada, o ensopado marinho é com certeza o meu maior sucesso com a família brasileira. O ingrediente principal é o humilde repolho, mas o resultado final é tão saboroso que ninguém adivinha que aqueles pedacinhos de coisa gostosa são na verdade esse legume singelo.

Fiz esse prato em várias ocasiões aqui na Palestina e ele foi aprovado por amigos estrangeiros, palestinos e israelenses. E embora eu ainda use a mesma receita, uns tempos atrás comecei a acrescentar um pouquinho de algas (nori ou wakame) pra intensificar o sabor marinho do ensopado. Também resolvi aumentar a quantidade de proteína do prato juntado uma xícara de grão de bico cozido. Hoje gosto das duas versões, com e sem grão de bico, mas sempre com um pouco de algas marinhas.

Como a receita apareceu por aqui anos atrás e acredito que muitos leitores não a conhecem ainda, resolvi escrever sobre ela novamente e compartilhar com vocês a versão mais atual do prato. Os leitores que testaram a receita em casa ficaram encantados, então se você chegou por aqui há pouco tempo e ainda não conhecia esse prato, não deixe de experimentar.

ensopado marinho2

Ensopado marinho 2 (vegano, sem glúten)

Como expliquei na receita original, o segredo do sucesso aqui é cortar o repolho o mais fininho possível. Nessa versão troquei o caldo de legumes por molho de soja, pois sei que alguns leitores não conseguem encontrar caldo industrializado sem conservantes. Porém se você tiver acesso a caldo de legumes orgânico, substitua o molho de soja por um cubo de caldo e a receita ficará ainda melhor. Se preferir uma versão mais leve, pra ser servida como entrada, deixe o grão de bico de fora. O prato ficou com uma cor puxada pro verde porque usei coentro picado e congelado (não tinha fresco em casa) e ele acabou se desfazendo no molho. Não façam como eu: usem coentro fresco! O sabor será melhor e a aparência do seu ensopado será bem mais atraente.

1 cebola grande, em fatias

1 pimentão vermelho, em fatias

1 pimentão verde, em fatias

4-6 dentes de alho, ralados/amassados

500g repolho branco, cortado em fatias finíssimas

4 tomates grandes, em fatias

1x de grão de bico cozido (na água salgada)

1 folha de alga nori, tostada* e esfarelada (opcional)

2x de leite de coco

2cs de molho de soja (shoyu)

1 punhado de castanha de caju (aproximadamente 1/3x), de molho por pelo menos 6 horas

1x de água

1cc cheia de amido de milho (maizena)

2cs de azeite

Sal e pimenta do reino a gosto

Um punhado generoso de coentro

-Em uma panela larga aqueça 2cs de azeite e doure a cebola e os pimentões. Junte o alho e deixe cozinhar mais alguns segundos antes de acrescentar o repolho. Mexa bem, cubra e deixe cozinhar alguns instantes em fogo alto, mexendo de vez em quando. É preciso cozinhar o repolho no fogo forte pra que ele caramelize um pouco e ganhe uma cor ligeiramente dourada, mas fique por perto e mexa frequentemente pra não queimar.

-Junte o tomate, grão de bico, alga nori (se estiver usando), leite de coco e molho de soja. Deixe cozinhar coberto (fogo baixo), até o tomate começar a se desfazer.

-Enquanto isso coloque a castanha de caju escorrida, a água e o amido de milho no liquidificador e triture até não sobrar mais nenhum pedacinho de castanha inteiro (esfregue um pouco do líquido entre os dedos pra ter certeza).

-Despeje o leite de castanha na panela e cozinhe mais alguns minutos, até o creme engrossar. Tempere com pimenta do reino a gosto e corrija o sal. Junte o coentro picado, desligue o fogo e deixe descansar coberto durante 5 minutos antes de servir. Sirva acompanhado de arroz. Rende 4-6 porções como prato principal.

*Pra tostar a folha de nori segure-a com um pegador de macarrão e passe a alga alguns centímetros acima da chama do fogão até ela ganhar uma cor brilhante e intensa e ficar bem crocante. Deixe esfriar alguns instantes e esfarele a alga entre os dedos.

Quem passa sempre pelo blog deve ter percebido que ando um pouco ausente. Se você é novo(a) por aqui saiba que geralmente posto três vezes por semana, mas nos últimos dias minha rotina ficou tão carregada que não consegui manter esse ritmo. Grandes mudanças se preparam por aqui e estou com dificuldades em manter todos os meus compromissos em dia. Mas não é só isso.

Hesitei bastante em dividir coisas pessoais aqui no blog, mas eu sinto hoje que a comunidade de leitores que se criou aqui é uma fonte de apoio e reconforto pra mim. Talvez vocês ainda não saibam, mas considero vocês meus amigos. Então lá vai. As coisas não andam muito brilhantes aqui do meu lado do muro (lembram que a Palestina é cercada pelo muro construído por Israel?). Como eu disse, grandes mudanças acontecerão esse ano e uma delas (a maior de todas) é que eu provavelmente deixarei Belém e partirei rumo à novas aventuras. Essa não foi uma escolha que fiz com o coração. As limitações e complicações relacionadas com o visto me obrigarão a partir depois de mais de cinco anos morando na Terra Santa. E por mais que tenha me preparado psicologicamente pra esse momento, ainda assim é uma etapa difícil.

Mas no meio da confusão das últimas semanas  preparei uma salada de arroz com grão de bico de cair o queixo. Minhas receitas de salada-refeição fazem bastante sucesso por aqui e fazia tempo que não dividia uma receita nova com vocês. Amigo(a)s, valeu a pena esperar! Impressionante como alguns ingredientes simples e baratos (a única exceção aqui é a tahina, ou ‘o tahini’ como o pessoal fala no Brasil) podem se transformar em algo tão saboroso quando misturados.

jerimum assado

Eu tinha um pacotinho de arroz castanho que ganhei de presente de uma amiga quando estive no Brasil ano passado e ainda não tinha me aventurado com ele. Apesar de demorar muito mais pra cozinhar do que arroz comum (incluindo os do tipo integral) achei o sabor ótimo e a textura firme é perfeita pra ser usada em saladas, onde um arroz branco poderia se desintegrar. Mas quem não quiser usar arroz castanho (o preço é bem elevado) pode substituí-lo por qualquer tipo de arroz integral.

grão de bico assado

Pra incrementar a salada, e adicionar um elemento ligeiramente crocante, eu assei o grão de bico depois de cozido. É uma etapa extra que você pode cortar se estiver com pouco tempo, mas não deixe de experimentar fazer grão de bico assim pelo menos uma vez. Fica tão bom que quase comi tudo na saída do forno, antes mesmo de adicionar à salada. Uma dica: esse grão de bico é uma ótima opção de lanche e perfeito pra ser servido como petisco.

O futuro ainda é bastante nebuloso nesse final de abril, mas prometo manter vocês informados sobre possíveis locais de residência, caso algum leitor esteja planejando me visitar esse ano…

salada de arroz castanho com grão de bico e abóbora3

Salada de arroz castanho com grão de bico e abóbora (vegana, sem glúten)

Graças ao cominho, semente de coentro e ervas frescas essa salada tem um sabor intenso e marcante. Ela é perfeita pra ser servida pra aqueles onívoros que acham que comida vegetal é sem graça (ou qualquer pessoa que goste de comida saborosa). Se você está procurando uma salada completa, mas não é fã de cominho, sugiro essa salada de lentilha, couve-flor e abóbora com molho de laranja (ou essa aqui). Mas resista à tentação de fazer a salada sem os temperos e as ervas, pois ela ficará muito sem graça.

2/3x de arroz castanho (ou integral) cru

2x de grão de bico cozido (na água com sal)

500g de abóbora (jerimum), de preferência jerimum de leite ou butternut

1cc de cominho em pó

1cc de semente de coentro em pó

Azeite, pimenta do reino e sal a gosto

1/2x de coentro picado (ou salsinha, ou uma mistura dos dois)

Molho

2cs de tahina (pasta de gergelim)

2cs de suco de limão

2cs de água

1 dente de alho pequeno, ralado ou amassado

1/3cc de semente de coentro em pó

Uma pitada generosa de cominho em pó

Uma pitada de pimenta calabresa (aumente a quantidade se quiser uma salada mais apimentada ou omita esse ingrediente se ardor não é a sua praia)

Sal a gosto

-Cozinhe o arroz castanho (ou integral) na água com sal até ficar macio. Escorra e reserve. (Se você tiver um resto de arroz integral cozido na geladeira use 2x bem cheias.) Enquanto o arroz cozinha prepare os outros ingredientes.

-Corte o jerimum (abóbora) em pedaços pequenos (pra ir mais rápido eu corto em fatias finas e asso com a casca, como na foto acima). Unte uma travessa que vá ao forno (grande o suficiente pra caber o jerimum em uma camada única) com 1cs de azeite, coloque o jerimum por cima e regue com mais 1cs de azeite. Tempere com sal e asse no forno médio-alto até ficar macio e ligeiramente caramelizado.

-Regue o grão de bico cozido com 1cs de azeite e tempere com o cominho, a semente de coentro em pó, uma pitadinha de pimenta do reino moída e sal a gosto. Misture bem pra distribuir o tempero. Se quiser simplificar a receita pare por aqui, mas se quiser uma salada mais caprichada faça o seguinte: espalhe o grão de bico temperado em uma placa ou travessa rasa e asse (fogo médio-alto) até secar um pouco e ficar dourado em alguns lugares.

-Prepare a salada. Junte todos os ingredientes do molho e misture bem. O molho deve ter uma consistência cremosa, mas ligeiramente líquida, então acrescente mais um pouco de água (1cs por vez) se necessário. Em uma saladeira média junte o arroz cozido (e escorrido), o grão de bico temperado (assado ou não), o jerimum assado (eu cortei as fatias em pedaços médios e retirei a casca depois de assado) e o coentro (e/ou salsinha). Despeje o molho por cima e misture bem. Sirva essa salada morna ou em temperatura ambiente. Rende 2 porções como prato principal ou 4 porções como acompanhamento.

*Pra complementar a refeição: Essa salada é um prato completo (o arroz combinado com o grão de bico forma uma proteína vegetal completa), mas ela fica ainda melhor se for servida em uma cama de rúcula ou alface.