Archives for posts with tag: tofu

Desde ontem tem algo não identificado no meu estômago (Vírus? Bactéria? Um alien?) e não estou me sentindo muito bem. Por isso o post de hoje será breve, mas, como nem adoentada eu perco o apetite, saboroso.

Ultimamente tenho sentido vontade de comer meus deliciosos makis veganos frequentemente, mas como a preparação deles é longa e eu ando cheia de afazeres, acabei criando uma receita muito mais prática e rápida: preparo uma versão simplificada e sirvo na tigela, tudo misturado. Enrolar os makis é a parte mais trabalhosa, então cortando essa etapa o prato fica pronto em menos de meia hora. E como cansei de corrigir o pessoal que sempre chama maki (os rolinhos) de sushi (os montinhos), decidi me render e chamar minha criação de “sushi na tigela”.

Sei pouquíssima coisa sobre culinária japonesa, mas posso afirmar que essa receita está bem longe de ser tradicional. Porém ela é deliciosa, prática e nutritiva. E parece que tem poderes curativos (o arroz acalmou meu estômago, o alho e todo esse gengibre me deixaram mais fortinha)…

Sushi na tigela

Use essa receita como guia e varie os vegetais de acordo com o seu gosto. No lugar da cenoura você pode usar brócolis, abobrinha italiana (cozinhe como a cenoura), pepino, ou uma mistura. Substitua o abacate por manga ou sirva as duas frutas ao mesmo tempo, pra criar uma tigelada pra lá de especial.

3/4x de arroz cru (arroz tai é o meu preferido aqui, mas use o que preferir, branco ou integral)

100g de tofu firme

2 cenouras médias, cortada em palitos finos

1/2x de abacate em fatias

2 folhas de alga nori

2cs de gergelim

Óleo de gergelim (ou azeite)

Molho de soja (shoyu) pra servir

Marinada

1cs de gengibre fresco ralado

2 dentes de alho ralados

3cs de molho de soja (shoyu)

2cs de suco de limão

1cs de melado, açúcar mascavo ou xarope de agave (usei geleia natural-sem açúcar-de figo)

2cs de água

Misture todos os ingredientes da marinada e reserve. Esprema o tofu entre as mãos pra retirar o máximo de água possível e corte em cubos pequenos. Cubra o tofu com a marinada, misture bem e deixe descansar enquanto prepara o resto da receita.

Cozinhe o arroz, sem sal, até ficar macio. Toste o gergelim em uma frigideira (seca), sobre fogo médio, até começar a pipocar. Transfira pra um recipiente pequeno e reserve. Usando um pegador de macarrão, toste as folhas de nori, uma de cada vez, diretamente sobre a chama do fogão (passe toda a extensão da folha a alguns centímetros do fogo, até ficar bem crocante). Esfarele as folhas crocantes entre os dedos, criando flocos pequenos. Reserve.

Aqueça um fio de óleo de gergelim em uma frigideira grande e doure a cenoura em palitos durante alguns minutos. Junte 1/2x de água e cubra. Quando a água evaporar totalmente (a cenoura vai amolecer um pouco, mas continuar ligeiramente crocante) empurre o legume pros lados e despeje o tofu e a marinada no centro da frigideira. Cozinhe em fogo baixo, mexendo de vez em quando, até todo o líquido evaporar. Misture o tofu com a cenoura e deixe cozinhar mais um minuto.

Distribua o arroz em duas tigelas médias e cubra cada porção com metade da mistura tofu-cenoura e metade do abacate fatiado. Polvilhe com os flocos de nori e o gergelim tostado. Sirva regado com um pouco de shoyu. Pode ser degustado quente ou em temperatura ambiente. Rende duas porções.

Uvas assadas com alecrim e figos grelhados.

Como prometi no post de ontem, aqui vão mais receitas (inéditas) pra fazer no churrasco e deixar todo mundo com vontade de provar a sua comida. Essas são minhas receitas “pra churrasco” preferidas e gosto tanto que às vezes as preparo em casa, no forno. Tenho a sorte de ter um forno com a função “grill” (ele tem fogo embaixo e em cima), então asso minhas preparações e nos últimos minutos acendo o grill pra deixar a comida bem gratinada.

Batatas com limão, cebola e pimentão antes de irem pra churrasqueira.

Minhas batatas prontas, acompanhadas de várias delícias.

Trouxinhas de batata com limão

Usei esses ingredientes porque é uma combinação que adoro, mas você pode usar os legumes, temperos e ervas que preferir. Preparo as trouxinhas em casa e quando chego no churrasco é só colocar diretamente sobre as brasas. Se quiser fazer essa receita no forno, asse em uma travessa de vidro coberta com papel alumínio. Quando as batatas tiverem bem macias, retire o papel alumínio e deixe gratinar um pouco.

4 batatas, cortadas em pedaços médios (descascar é opcional)

2 cebolas, em fatias grossas

1 pimentão vermelho, em fatias grossas

4 dentes de alho (ou mais), picados

Suco e raspas de 1 limão grande

Azeite, sal e pimenta do reino

Em um recipiente grande misture todos os legumes. Junte o suco e raspas de limão, regue com bastante azeite e tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Mexa bem pra envolver os pedaços de legumes com os temperos. Corte quatro quadrados grandes de papel alumínio. Distribua os legumes sobre o papel alumínio e junte as pontas de cada quadrado, formando uma trouxa (feche bem). Coloque as trouxinhas diretamente sobre brasas e deixe assar até as batatas ficarem bem macias. De vez em quando abra uma trouxinha e espete um pedaço de batata pra verificar o cozimento. Gosto de deixar cozinhar bastante, assim as batatas ficam bem macias e as cebolas, ligeiramente caramelizadas. Rende 4 porções.

 

Trouxinhas de uvas e alecrim

Quando fiz essa receita usei um pouquinho de geleia natural de figo (feita sem açúcar, como essa aqui), mas achei que ficou doce demais. Por isso estou dando a receita sem a geleia.

1 cacho grande de uvas

1cc de alecrim fresco, picado

Azeite

Coloque as uvas lavadas (o cacho inteiro) no centro de um quadrado grande de papel alumínio. Polvilhe com o alecrim e regue com um fio de azeite. Feche bem o pacote e asse diretamente sobre as brasas, até as uvas ficarem bem macias e ligeiramente caramelizadas. Rende 2 porções.

 

Cogumelo e tofu grelhados com molho de maçã e cebola

Compro vários blocos de tofu e congelo em porções menores. Tofu congelado, além de durar mais, fica mais firme e, ao mesmo tempo, mais poroso depois de descongelado. Ele absorve melhor os sabores da marinada e quando assado adquire uma textura muito agradável. (Atenção: pra fazer tofu mexido e quiche prefiro a textura do tofu fresco.) O molho de maçã e cebola casa maravilhosamente bem com esse prato, mas você pode preparar só o cogumelo com tofu, se quiser (também é uma delícia sozinho).

250g de cogumelos brancos frescos (champignons)

150g de tofu (leia dicas acima)

Marinada

2cs de molho de soja (shoyu)

2cs de azeite

2cs de água

2 dentes de alho, ralados

1/2cc de sálvia + 1/2cc de tomilho (desidratados)

Pimenta do reino a gosto

Corte os cogumelos em fatias e o tofu em cubinhos. Misture todos os ingredientes da marinada e despeje sobre a mistura de cogumelo e tofu. Mexa bem pra envolver tudo com a marinada. Cubra e deixe marinando na geladeira durante algumas horas (pode deixar marinando de um dia pro outro). Transfira os cogumelos e tofu pra dois pedaços grandes de papel alumínio e faça trouxinhas. Antes de fechar completamente o pacote, regue com a marinada. Feche bem e coloque as trouxinhas na grelha. Esse prato precisa de pouco tempo pra ficar pronto, mas é importante entreabrir as trouxinhas no final do cozimento pro líquido evaporar. Está pronto quando os cogumelos tiverem reduzido bastante, o tofu estiver ligeiramente dourado e quase todo o líquido tiver evaporado. Você também pode preparar esse prato em espetinhos. Nesse caso corte os cogumelos e o tofu em pedaços maiores e enquanto grelha regue constantemente com a marinada. Se quiser preparar esse prato em casa, como fiz, é só assar no forno bem quente (os cogumelos, tofu e toda a marinada), até ficar ligeiramente caramelizado. Sirva com o molho de maçã e cebola. Rende 2 porções.

 

Molho de maçã e cebola

Esse é o molho que acompanha minhas deliciosas panquecas de batatas e que ensinei a fazer nesse vídeo. Usei um pouquinho de vinagre dessa vez pra criar uma harmonia balanceada de doce, salgado e ácido, mas isso é opcional. Essa receita faz uma quantidade maior de molho do que você vai precisar, mas é só guardar o resto na geladeira (em um recipiente fechado). Melhor ainda: divida essa delícia com os outros convidados do churrasco (me falaram que ele acompanha muito bem carnes). Prepare o molho em casa, na véspera do dia do churrasco, e coloque na geladeira. Lembre de deixá-lo voltar à temperatura ambiente antes de consumir.

2 cebolas, em fatias

2 maçãs, em cubinhos (com casca)

1x de suco de maçã natural (puro, sem açúcar nem água)

1cs de azeite

1cs de vinagre de sidra (opcional)

Sal e pimenta do reino a gosto

Em uma panela pequena (de preferência com o fundo grosso) aqueça o azeite e refogue a cebola. Quando ela estiver bem dourada junte a maçã picada e deixe cozinhar em fogo baixo, coberto, mexendo de vez em quando, até a maçã começar a se desintegrar. Acrescente o suco natural de maçã e cozinhe mais um pouco. Quando quase todo o líquido tiver evaporado desligue o fogo, junte o vinagre de sidra, se estiver usando, e tempere com uma pitada generosa de sal e pimenta do reino a gosto. O molho dever ter um agradável sabor adocicado, mas com notas salgadas e, se você usou o vinagre, levemente ácidas. Prove e corrija o tempero, se necessário. Rende aproximadamente 1 1/2x. Se conserva alguns dias na geladeira.

Minhas trouxinhas assando, junto com algumas cebolas, na brasa.

Pavê trufado de chocolate amargo e morango

Na minha última noite em Natal preparei uma sobremesa especial pra ser degustada no dia seguinte, antes de ir embora. Despedidas são sempre tristes e deixam um gosto ruim na boca, então eu quis amenizar isso oferecendo algo delicioso, e doce, pra minha família.

Quando estou com meus pais, irmãos, sobrinhos e afins gosto de preparar receitas que normalmente não faria se estivesse em casa, como sobremesas convencionais (nem eu nem a outra moradora daqui gostamos desse tipo de sobremesa). Claro que o meu “convencional” já é bem diferente, pois minhas sobremesas não usam nenhum produto de origem animal. Mas tirando esse detalhe, gosto de criar receitas parecidas com as que normalmente agradam o paladar da minha família natalense e isso significa muito chocolate e algumas alterações na maneira como cozinho no dia-a-dia (em casa não uso açúcar –nem branco, nem preto, nem verde- nem produtos industrializados).

Usei a minha receita de torta de chocolate, banana e amendoim como base e fui fazendo alterações. A mais importante foi transformar a torta em pavê, cortando assim a margarina da massa (odeio margarina com todas as minhas forças!). Já que estava usando um biscoito industrializado, não precisava juntar mais porqueira na receita! Combinei chocolate com morangos, porque minha família adora os dois juntos, e nasceu essa delícia.

Hesitei bastante na hora de batizar minha criação, mas como o creme de chocolate é bem denso, parecido com uma trufa firme, e que a sobremesa tem camadas, achei justo chamar de “pavê trufado”. Se isso não existia, acabo de inventar.

Apesar da sobremesa ter ficado ótima, ela não conseguiu adoçar a minha partida. Pois é, faz dez anos que moro no exterior e ainda assim é um chororô só a cada despedida. Mas pelo menos agora eu posso dividir essa delícia com vocês.

PS Devido à falta de colaboração da minha máquina fotográfica, que continua quebrada, e ao estado em que me encontrava naquele dia, não consegui fazer fotos boas do pavê. Felizmente minha irmã me socorreu e fez esse close da sobremesa com a máquina dela. Então a primeira foto é minha e a segunda é dela. Obrigada, Lulu. Pela foto e por ter insistido pra que eu publicasse a receita aqui no blog.

Pavê trufado de chocolate amargo e morango

Usei rosquinhas da marca Fortaleza, que são veganas e fortes em cacau, mas você pode substituir por outro biscoito de chocolate crocante e sem recheio. A baunilha realça o sabor do chocolate e do morango, mas se você não tiver baunilha em favo nem extrato natural, não tem problema (só não pense em substituir por extrato artificial, que tem um sabor muito inferior). Eu não adoço o creme, pois acho que o açúcar presente no chocolate é mais que suficiente, mas você pode juntar um pouquinho de açúcar, se preferir sobremesas mais doces. Ou substitua o cacau em pó (sem açúcar) por chocolate em pó (que é uma mistura de cacau e açúcar- não confundir com achocolatado!). Essa sobremesa fica melhor depois de passar uma noite na geladeira, então lembre-se de prepará-la na véspera.

4x de tofu sedoso (ou o tofu mais macio que você encontrar)

400g de chocolate amargo, com no mínimo 50% de cacau (o amargo da Arcor é vegano e com 53% de cacau)

1cs de cacau em pó

2 favos de baunilha ou 2cc de extrato natural de baunilha (opcional)

1 pacote (350g) de rosquinhas de chocolate

4x de morangos em pedaços

2-3cs de açúcar

Pique o chocolate e derreta em banho-maria. No liquidificador, bata o tofu sedoso até ficar homogêneo e bem cremoso.  Junte o chocolate derretido, o cacau e as sementes de 1 favo de baunilha (ou 1cc de extrato), se estiver usando, e bata mais 30 segundos, desligando o motor e mexendo o creme com uma colher algumas vezes durante o processo, se necessário. O creme de chocolate deve ficar cremoso e ligeiramente aerado. Prove e adoce com um pouco de açúcar, se achar necessário (eu não acrescentei açúcar e ninguém lá de casa reclamou).

Espalhe metade das rosquinhas de chocolate sobre o fundo de uma grande travessa de vidro (use a maior que você tiver) e cubra com metade do creme de chocolate. Repita a operação com a outra metade das rosquinhas e termine com a outra metade do creme. Cubra a travessa com papel-filme e leve à geladeira por 12 horas ( o creme vai endurecer, o gosto de tofu vai desaparecer completamente e tudo vai ficar maravilhoso!).

Algumas horas antes de servir, misture metade dos morangos em pedaços com 2 ou 3cs de açúcar (a quantidade vai depender da doçura dos seus morangos) e leve ao fogo por alguns minutos, só o suficiente pro açúcar dissolver e os morangos começarem a amolecer. Fora do fogo, misture com o resto dos morangos e junte as sementes de um favo de baunilha (ou 1cc de extrato), se estiver usando. Deixe descansar na geladeira por 2 horas.

No momento de servir, espalhe os morangos em calda sobre o pavê. Rende 12 porções (essa sobremesa é muito intensa, então é melhor cortar porções pequenas).

Tofu mexido com tomate e manjericão

Tempos atrás, em um dos jantares que preparei no meu restaurante ocasional, uma convidada japonesa comentou que nunca come o tofu local, pois ele é horrível (na verdade ela disse “seboso”). Felizmente não estava servindo tofu naquela noite (compro o meu em uma loja de produtos orgânicos em Jerusalém então imaginem o constrangimento!), mas fiquei pensando que o tofu do Japão deve ser uma coisa do outro mundo. Se já acho bom esse que compro aqui, imagine o original!

Publiquei poucas receitas com tofu nesses dois anos de blog e o motivo principal é exatamente esse. Se você não mora no Japão nem perto de algum fabricante de tofu extremamente competente, é difícil encontrar tofu de qualidade e não quero que meus leitores tenham experiências traumatizantes. Sei que muitas pessoas dizem que não gostam de tofu, mas na verdade elas provaram tofu ruim (ou mal preparado). Quando estou em Natal, uso minha máquina pra fazer leite de soja e preparar tofu fresquinho quase diariamente e ainda não encontrei ninguém, mesmo na minha família carnívora, que não gostasse dele. Por isso tenho certeza absoluta que se você acha que não gosta de tofu, é porque ainda não provou tofu bem feito, fresco e preparado com carinho.

Além de gostoso, prático e versátil, tofu é um alimento muito interessante do ponto de vista nutricional. É rico em proteínas (e completas!), ferro, cálcio e ainda por cima não é muito calórico. Pra fazer tofu o leite de soja pode ser coagulado com cloreto de magnésio (também conhecido como nigari, o coagulante mais comum) ou cloreto de cálcio, que faz um tofu extremamente rico em cálcio. E já que estou falando desse derivado da soja, vou aproveitar pra responder algumas perguntas que sempre escuto quando abordo esse assunto.

“Afinal, a soja é boa ou ruim pra saúde?”

A resposta curta e grossa (e óbvia) é: tudo demais é muito. Não acredito que a soja seja heroína nem vilã, acho que ela é um alimento nutritivo e interessante, mas que se consumida em excesso pode eventualmente perturbar a saúde, como qualquer outro alimento.  Na Ásia o pessoal come tofu e outros derivados da soja (leite de soja, tempeh, missô, shoyu) desde que o mundo é mundo e vão muito bem, obrigado. Mas ao virar moda fora da Ásia, o povo desse lado do mundo, sempre em busca de alimentos milagrosos, acanalhou tudo por conta do exagero. Hoje a soja aparece em tantos produtos industrializados (óleo, margarina, proteína texturizada, iogurte, leite, suco, biscoitos, pães, chocolates etc.) que estamos beirando a overdose. Resumindo: soja em quantidades moderadas é nutritiva (não confundir com milagrosa), mas doses exageradas podem prejudicar a saúde. E fuja de alimentos altamente processados, como os citados acima, pois eles são péssimos pra saúde e não só por causa da soja! Fico morta de pena quando escuto alguém dizer que está tentando ter uma alimentação mais saudável e por isso bebe leite de soja em pó ou suco de frutas com soja, ambos cheios de química e açúcar, todos os dias. Prefira consumir soja na forma de produtos naturais, como tofu, tempeh e missô, que além de mais saudáveis são mais fáceis de digerir por serem fermentados. Precisamos entender, de uma vez por todas, que a saúde chega até nós graças a um padrão de comportamento (alimentação diária e hábitos, o que chamamos de higiene de vida) e não através de um alimento específico, independente do número de vezes que ele aparecer na tv e do que tiver escrito na embalagem (lembram do meu post sobre a chia?).

“Eu já ouvi falar para cortar a soja da alimentação porque ela seria ‘venenosa’ por conta dos aditivos usados na sua produção.”

Infelizmente os métodos “modernos” da agricultura industrial são altamente duvidosos, o que representa um perigo grande pra nossa saúde. Agrotóxicos são usados indiscriminadamente na agricultura convencional e o Brasil detém o triste recorde do país que mais utiliza agrotóxicos no mundo. Só em 2010 foram mais de um bilhão de litros de veneno jogado nas lavouras, o que significa que cada brasileiro engole 5,2 litros por ano (esse post explica a gravidade do problema). A soja, geralmente cultivada pra alimentar animais de abate, recebe uma dose ainda maior de agrotóxicos do que os vegetais cultivados pro consumo humano. Pra piorar ainda mais a situação, tem a questão dos OGM. Mais de 76% da soja cultivada no Brasil é transgênica, segundo esse artigo. Embora o problema não venha da soja em si, e sim dos métodos de cultivo, essas são razões de sobra pra limitar o consumo de produtos à base de soja e preferir soja orgânica sempre que possível. Mas o problema dos agrotóxicos e transgênicos não atinge somente vegetarianos/veganos. Se você é onívoro e está pensando que é mais seguro comer um bife do que um pedaço de tofu gostaria que chamar sua atenção pro seguinte fato. Antes de chegar no seu prato, esse bife foi uma vaca e se alimentou de quilos e mais quilos de soja transgênica e entupida de agrotóxicos. Com exceção das pessoas capazes de produzir todo o alimento que consumem de maneira orgânica, ninguém, independente do tipo de regime que segue, está a salvo desse problema. Então esse conselho é válido pra todos: limitem o consumo de produtos à base de soja (e isso inclui carne, leite e ovos, que são derivados de animais que se alimentaram de soja) e sempre que possível prefira alimentos orgânicos.

“Estão destruindo as florestas pra plantar soja que será transformada em comida pros vegetarianos!”

Eu já tratei desse assunto na página “Tire suas dúvidas”, mas não custa repetir.  Pior do que a ignorância é a ilusão do conhecimento, como disse Daniel Boorstin. Ninguém está destruindo a Amazônia pra fazer proteína nem leite de soja pros vegetarianos. Mais de 80% da soja produzida nos EUA é destinada à fabricação de rações pros animais de abate e no Brasil a situação não é diferente. Praticamente toda a soja exportada no nosso país é destinada à alimentação de animais. Não, não é o tofu no prato do vegetariano que está destruindo a Amazônia, é o bife no prato do onívoro.

E voltando ao nosso tofu, a receita de hoje é uma variação do meu tofu mexido clássico. É tão simples que hesitei na hora de publicar essa receita, pois eu já tinha sugerido o acréscimo de tomate à receita de base naquele post.  Mas talvez alguns de vocês ainda não tenham experimentado tofu mexido e, como aqui os sabores são ainda mais apurados, acho que essa receita tem mais chances de conquistar aqueles que ainda resistem aos charmes do tofu. Mas antes de passar à receita, queria dar uma palavrinha sobre molho de soja.

Ele é um ingrediente extremamente útil e realça o sabor de inúmeros pratos. Mas, vou bater nessa tecla mais uma vez, é melhor evitar o excesso. Nas últimas vezes que passei pelo Brasil vi várias pessoas utilizarem shoyu em quase tudo, de saladas cruas a legumes refogados, passando por carnes, como se fosse um substituto mais saboroso do sal. Shoyu (molho de soja em Japonês) é feito tradicionalmente fermentando grãos de soja com um tipo de fungo e misturando com sal marinho, água e trigo (Amigos celíacos, existe um tipo de molho de soja feito geralmente sem trigo chamado “tamari”, mas confiram a lista de ingredientes pra ter certeza). Na forma original, shoyu é um condimento saudável, mas que mesmo assim deve ser consumido com moderação, pois é bastante rico em sódio. O problema é que a maioria dos molhos de soja encontrados no mercado não é feita da maneira tradicional e contêm uma longa lista de ingredientes nada naturais, como conservantes, corantes, açúcar, glutamato monossódico…. É importante escolher um shoyu de qualidade, naturalmente fermentado e, se possível, sem OGM e orgânico. A diferença de sabor é imensa, mas a de preço também. Porém acho que faz mais sentido comprar um molho de soja de qualidade e usar com parcimônia (assim degusto um produto natural e de qualidade, sem correr o risco de abusar do sal) do que comprar uma versão barata e artificial desse condimento e acabar consumindo em excesso. A foto acima mostra o melhor molho de soja que encontro por aqui. Ele é naturalmente fermentado e com uma lista curta de ingredientes: água, trigo, soja, sal e benzoato de sódio (preservativo). Infelizmente dessa vez comprei a versão com menos sódio achando que estava fazendo um bom negócio e só depois que cheguei em casa vi que tinha ácido láctico, um ingrediente de origem animal. É impossível inspecionar a lista de ingredientes dos produtos quando ela vem escrita em Árabe e Hebraico, mas felizmente consumo pouquíssimos alimentos com lista de ingredientes.

Pra encerrar o assunto voltemos à questão da moderação, que é um conceito subjetivo. Os únicos produtos derivados de soja que entram na minha cozinha são: tofu (de duas à quatro vezes por mês), missô (que uso semanalmente pra fazer queijo de castanha) e shoyu (que uso somente quando preparo algum prato asiático –muito raramente- e pra temperar tofu). Não acho que todo mundo deveria comer exatamente as mesmas coisa que eu, mas acho que muitos veg(etari)anos abusam da soja. Sei que ela é um alimento extremamente prático na hora de substituir os produtos de origem animal que saíram do cardápio, mas se você consume iogurte e leite de soja, suco com soja e proteína de soja regularmente (mais margarina, óleo de soja e outros produtos industrializados), talvez seja mais prudente puxar o freio.  Comer algo em excesso priva seu organismo dos nutrientes oferecidos pelos outros alimentos.

Se quiser saber mais sobre tofu recomendo o artigo do nutricionista George Guimarães “Tofu: o grande bloco branco” e meu post sobre tofu mexido.

Tofu mexido com tomate e manjericão

Quanto mais fresco o tofu, melhor. Em pratos como esse, onde o tofu é a estrela, a qualidade faz uma grande diferença. Eu aconselho temperar o prato com shoyu antes de juntar o tomate porque assim o molho penetra no tofu, transformando esse ingrediente quase insípido em algo saboroso, ao invés de se diluir no líquido do tomate. Sinta-se livre pra incrementar essa receita. Algumas sugestões que casam bem com os sabores do prato: azeitona (preta ou verde), palmito e tomate seco. Se quiser transformar esse prato em um super molho pra macarrão, estilo bolonhesa, dobre a quantidade de tomate da receita.

1 cebola, picada

2 dentes de alho, amassados/ralados

200g de tofu firme

3 tomates, em pedaços médios

2 cs de shoyu (ou a gosto)

1 pitada generosa de orégano

Um punhado de manjericão

Azeite, sal e pimenta do reino

Refogue a cebola em 1 cs de azeite. Quando estiver dourada, empurre a cebola pros cantos da frigideira, deixando o centro vazio. Espalhe mais 1cs de azeite no centro da frigideira e esfarele o tofu com os dedos sobre o azeite. Deixe o tofu cozinhar, sem mexer, durante alguns minutos, até ficar ligeiramente dourado embaixo. Mexa bem e deixe dourar do outro lado. Junte o alho, refogue mais 30 segundos e tempere com shoyo. Prove um pedacinho de tofu e junte mais shoyo se achar necessário. Acrescente o tomate e o orégano, cubra a frigideira e deixe cozinhar, em fogo baixo, até o tomate amolecer. Desligue o fogo, junte o manjericão e uma dose generosa de pimenta do reino. Prove e junte um pouquinho de sal, se preciso. Rende 2 porções como prato principal ou recheio pra 4 sanduíches.